Obama começa a escolher equipe para enfrentar a crise

Democrata define ex-assessores de Clinton para coordenar transição

Redação com Lourival Sant´Anna e agências internacionais,

05 de novembro de 2008 | 23h26

No dia seguinte à sua vitória histórica, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, começou a trabalhar na transição, dando sentido de urgência em razão da crise pela qual o país passa. Como coordenadores do processo, Obama anunciou John Podesta, ex-chefe de gabinete de Bill Clinton, Valerie Jarret, conselheira de Obama de longa data, e Pete Rouse, chefe de gabinete de Obama. Segundo fontes próximas ao presidente eleito, Obama escolheu como chefe de gabinete o deputado Rahm Emanuel, número quatro na liderança da bancada democrata na Câmara dos Representantes e ex-assessor do ex-presidente Bill Clinton.  Veja também:Obama mostrou que é possível mobilizar os jovens, diz escritorLeia a íntegra do discurso e veja o vídeo ´Vídeo mostra as festas em Kisumu, no QuêniaEspecial: Festa por mudança; veja imagens Após eleição, Obama toma café com as filhas McCain reconhece derrota e promete trabalhar com ObamaTrês fatores decidiram eleição nos EUA Veja o perfil do novo presidenteCampanha de Obama fez história Trajetória de Obama  Estadao.com.br na terra dos ObamasDiário de bordo da viagem ao Quênia Veja a apuração das eleiçõesObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Há especulações sobre alguns dos principais cargos do futuro governo. Para o Tesouro, fala-se em Paul Volcker, titular do Fed entre 1979 e 1987, Lawrence Summers, que trabalhou com Clinton, e o megainvestidor Warren Buffett; para a Defesa, o atual secretário, Robert Gates, pode ser convidado a ficar; e para a chefia da diplomacia circula, entre outros, o nome de John Kerry, derrotado por George W. Bush em 2004. No discurso da vitória, Obama disse que quer trabalhar com a oposição, mas analistas acreditam que os republicanos, minoritários no Congresso, deverão criar dificuldades.  Hagel é cotado também para o cargo de secretário de Estado, assim como o senador democrata John Kerry, derrotado na eleição presidencial de 2004. Vários outros nomes são citados. MÃO ESTENDIDA Obama estendeu a mão aos republicanos. Depois de tecer elogios ao seu adversário, o senador John McCain, e de felicitar sua vice, Sarah Palin, ele assinalou: "Estou ansioso em trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses." O presidente eleito pediu aos políticos que "resistam à tentação de recuar para o mesmo sectarismo, mesquinharia e imaturidade que envenenou a política por tanto tempo". Segundo ele, o Partido Democrata "teve uma grande vitória, mas terá humildade e determinação para curar as divisões que têm obstruído o progresso do país". OPOSIÇÃO CONSERVADORA A dúvida é se Obama encontrará ressonância entre os republicanos. "Na Câmara dos Representantes, não se elegeram republicanos moderados com quem os democratas poderiam se aproximar", observa Michael McDonald, especialista em eleições da Brookings Institution. "A nova bancada tem um perfil bastante conservador." No Senado, McDonald vê mais chances de diálogo. A folgada maioria democrata, sobretudo na Câmara, pode ser uma tentação para governar somente com o partido vencedor. Em 1992, Clinton elegeu-se com maiorias muito similares: 258 na Câmara e 57 no Senado, recorda Gerald Seib, colunista do Wall Street Journal. Auto-suficiente, fez pouco esforço de negociar com os republicanos, que acirraram sua oposição, recuperaram as maiorias na Câmara e no Senado em 1994 e bloquearam projetos importantes do governo, como a criação de um sistema público de saúde, à qual a então primeira-dama, Hillary Clinton, dedicou anos de esforço, sem sucesso.Ainda ontem, Bush ofereceu a Obama "uma transição suave" e qualificou a eleição do democrata de "o triunfo da História americana". "Este é um momento especial para uma geração de americanos que testemunhou a luta pelos direitos civis e, quatro décadas depois, vêem esse sonho realizado", disse. Economia Em apenas dez dias, acontecerá em Washington uma cúpula do G-20, grupo que reúne os países mais desenvolvidos e as principais economias em desenvolvimento. No encontro, as nações participantes debaterão possíveis soluções para crise financeira internacional. Por enquanto, os primeiros sinais são bons. As Bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira, 4, em uma mensagem de boas-vindas às mudanças na Casa Branca. A Casa Branca já deixou claro que não espera que o vencedor participe diretamente da reunião em Washington. Obama, por sua vez, disse que não iria interferir na reunião e deixaria o atual presidente, George W. Bush, comandá-la. Ainda assim, disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, a representação americana buscará as opiniões do presidente eleito. Embora o novo chefe de Estado vá assumir só em 20 de janeiro, durante os meses de transição ele já terá que se preparar para decisões que podem ser muito difíceis, especialmente no que respeita aos conflitos no Iraque e no Afeganistão. Iraque e Afeganistão Ao longo de sua campanha, Obama prometeu que poria fim aos confrontos no Iraque o mais rápido possível, embora tenha suavizado sua postura ao longo dos meses, deixando de lado um prazo taxativo de 16 meses para defender que o principal fator a ser considerado serão as condições sobre o terreno. Obama também prometeu que dará prioridade ao conflito no Afeganistão, onde pretender reforçar a presença das tropas americanas. As negociações sobre o futuro dos soldados dos EUA no Iraque ainda estão avançaram, e os funcionários em Washington são cada vez mais pessimistas quanto à sua conclusão antes do fim do ano, quando expira o mandato da ONU que regula essa presença. A atitude que possa adotar o presidente eleito será importante para o êxito dessas conversas. Após oito anos de uma Casa Branca muito criticada no exterior, também será interessante ver como se transcorrem os primeiros meses de uma Administração democrata com Obama à frente. Serão significativas, por exemplo, as primeiras viagens do novo chefe de Estado.

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