Obama culpa republicanos por crise; McCain critica regulação

Democrata afirma que país enfrenta sua maior crise desde 1929 com a saída de dois bancos do mercado

Agências internacionais,

15 de setembro de 2008 | 09h28

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, tentou envolver oposição republicana na crise financeira americana no dia em que a população acordou com a notícia de que dois dos maiores bancos de investimento do país desaparecerão do mercado financeiro. Ele afirmou que a economia americana enfrenta sua maior crise desde a depressão de 1929 e chamou de irresponsáveis as pessoas em Wall Street e Washington. Já o rival de Obama na disputa pela Casa Branca, o republicano John McCain, atribuiu a uma imperfeita colcha de retalhos de supervisão regulatória a causa de choques como a concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, o quarto maior do tipo no país.   Veja também: Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA  Entenda a crise nos EUA   No que já está sendo considerado como as últimas 24 horas mais extraordinárias em Wall Street desde os anos 1920, o banco Lehman Brothers, quarto maior banco de investimento americano, anunciou que pedirá concordata após incorrer em perdas milionárias relacionadas a valores hipotecários. No mesmo dia, outra instituição-símbolo de Wall Street, o banco Merrill Lynch, concordou em ser vendida para o Bank of America por cerca de US$ 50 bilhões para evitar prejuízos maiores. Notícias dão conta ainda de que a seguradora AIG pediu ao banco central americano, o Federal Reserve, um empréstimo de US$ 40 bilhões.   "Os desafios sobre nosso sistema financeiro hoje são mais evidências de que muitas pessoas em Washington e em Wall Street não estão cuidando da casa", afirmou Obama em comunicado. "Oito anos de políticas que têm retirado proteções dos consumidores, causado perda de supervisão e regulação, e que encorajaram bônus desproporcionais a executivo, enquanto ignoram os americanos de classe média, trouxeram para nós a mais séria crise financeira desde a Grande Depressão", avaliou o senador por Illinois.   O candidato da oposição culpou diretamente a administração George W. Bush pela crise. Obama advertiu que "essa turbulência é uma grande ameaça para nossa economia e sua capacidade de criar empregos com bons salários e ajudar os norte-americanos trabalhadores a pagar suas contas, poupar para seu futuro e fazer seus pagamentos de hipotecas".   Já McCain, senador pelo Arizona, qualificou a concordata do Lehman como "o último lembrete sobre a regulação e o gerenciamento ineficientes". Além disso, o candidato da situação garantiu que a "principal prioridade" de seu eventual governo será garantir que os EUA continuem sendo o principal mercado financeiro mundial.   "Para isso, grandes reformas devem ser feitas em Washington e em Wall Street", avaliou McCain. "Nós não podemos tolerar um sistema que imponha desvantagens aos nossos mercados e nossos bancos e que coloquem em risco as economias de norte-americanos que trabalham duro e de investidores."   Os textos foram divulgadas após o gigante Lehman declarar concordata e o banco de investimentos Merrill Lynch aceitar uma oferta de compra do Bank of America. As novas turbulências podem causar fortes perdas no mercado financeiro. O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra injetaram dezenas de milhões de dólares nos mercados, em meio aos problemas nos gigantes bancários.   Matéria atualizada às 12h07.

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