Obama detalhará contatos com governador de Illinois

Presidente eleito pede que equipe verifique qualquer ligação com o gabinete de Blagojevich

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2008 | 09h37

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, prometeu divulgar nos próximos dias a lista de contatos entre sua equipe de transição e o gabinete do governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de tentar leiloar a vaga de Obama no Senado. Numa tentativa de se distanciar do escândalo, o presidente eleito dos EUA esquivou-se de qualquer ligação com o governador. "Tenho certeza de que nenhum integrante de minha equipe teve qualquer papel nessas discussões."   Veja também: Nunca falei com governador sobre vaga do Senado, diz Obama Governador ignora pedido de Obama por renúncia   EUA não podem permitir que montadoras quebrem, diz Obama O gabinete do presidente eleito   A entrevista era para anunciar Tom Daschle como futuro secretário de Saúde, mas o escândalo de Blagojevich monopolizou a coletiva de quinta-feira, 11, de Barack Obama. O presidente eleito disse que nunca discutiu com o governador a respeito de seu substituto no Senado. O presidente eleito, no entanto, ainda não responderam questões cruciais relacionadas ao caso. Segundo o jornal The Wall Street Journal, Obama se recusou a identificar um de seus assessores citado em uma das conversas grampeadas pelo FBI sobre a venda da vaga no Senado.   Assim como fez na quarta-feira, o presidente eleito voltou a pedir que Blagojevich renuncie. "Acredito que a confiança pública foi violada", disse. "Não creio que, a esta altura, o governador possa servir ao povo de Illinois. Espero que o governador chegue a essa conclusão e renuncie."   Obama, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, renunciou a sua vaga no Senado por Illinois pouco depois de ser eleito. De acordo com a legislação americana, o governador é responsável pela escolha do substituto. No entanto, antes das eleições gerais de novembro um juiz federal havia autorizado a instalação de escutas para obter conversas de Blagojevich, que já vinha sendo investigado pelo FBI (polícia federal americana).   Segundo o jornal The New York Times, foi um telefonema de Obama que desencadeou a investigação. Quando ainda era candidato, ele telefonou para Emil Jones, líder do Senado de Illinois e seu amigo pessoal, pedindo que ele aprovasse uma lei que limita a influência de doadores em campanhas políticas. O texto havia sido vetado por Blagojevich, mas o Senado de Illinois derrubou o veto. A legislação, que entra em vigor dia 1º, fez Blagojevich agir rápido, pressionando empresários por novas doações. A atitude chamou a atenção do FBI, que começou a monitorar suas ligações telefônicas.   Em uma das gravações, ele exigiu de um dos candidatos à vaga um emprego em uma fundação sem fins lucrativos com um salário de até US$ 300 mil por ano. Outro candidato, identificado como "candidato 5", chegou a oferecer US$ 1 milhão pelo posto. Na quarta-feira, o advogado de Jesse Jackson Jr, filho do reverendo Jesse Jackson e deputado federal por Illinois, admitiu que ele era o "candidato 5". Jackson negou qualquer envolvimento no caso. "Eu rejeito e condeno esse tipo de jogada política. Não tive nenhum envolvimento no caso e não autorizei ninguém a prometer algo ao governador Blagojevich em meu nome", disse Jackson em coletiva à imprensa na quarta-feira à noite.

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