Obama deve divulgar contatos com governador de Illinois

Assessores afirmam que relação com Blagojevich, que tentou vender vaga de Obama, será revelada nesta semana

Efe,

22 de dezembro de 2008 | 11h10

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, está de férias com a família no Havaí, onde esta semana se prepara para a publicação dos contatos de pessoas de sua equipe com o governador de Illinois Rod Blagojevich, acusado de corrupção. Obama, que chegou no sábado à noite para passar dez dias, prometeu que o relatório de sua equipe de transição sobre os contatos será tornado público esta semana, e assessores do presidente eleito disseram que isso poderia acontecer nesta segunda, 22, ou na terça-feira.   Veja também: O gabinete do presidente eleito   Embora o relatório interno possa estar bem longe de ser a palavra final, que corresponderá ao promotor Patrick Fitzgerald, encarregado da investigação federal do caso, sua apresentação gerou muitas expectativas. Na semana passada, o presidente eleito, que afirma que nem ele nem ninguém de seu entorno manteve contatos indevidos com Blagojevich, assegurou que o relatório demonstra que não houve conversas inapropriadas entre os dois escritórios.   Apesar de o relatório ter sido finalizado na semana passada, a equipe de transição de Obama afirma que adiou sua publicação até a semana de 22 de dezembro a pedido de Fitzgerald, para evitar interferir na investigação oficial. Blagojevich, que insiste em que não fez nada de errado e que não pensa em renunciar, é acusado de querer lucrar na concessão do assento no Senado que Obama deixou vago após a vitória nas eleições presidenciais de 4 de novembro.   A lei de Illinois concede ao governador o poder de nomear um sucessor se um dos dois senadores do estado abandonar a cadeira antes do fim de seu mandato. O escândalo afetou o chefe de Gabinete de Obama, Rahm Emanuel, sobre quem a imprensa dos Estados Unidos diz que o FBI (Polícia federal americana) gravou uma conversa entre ele e Blagojevich em torno de possíveis ocupantes da cadeira.   O apresentador de televisão George Stephanopoulos, que foi porta-voz do presidente Bill Clinton e mantém excelentes relações com os democratas, assegurou hoje em seu programa "This Week", da "ABC", que recebeu uma informação sobre o conteúdo do relatório e que o documento isenta Emanuel de culpa. Segundo o apresentador, "Emanuel só manteve uma conversa telefônica com o governador Blagojevich, e sequer foi realmente sobre a cadeira".   Em seu blog, Stephanopoulos explica que "a maior parte da conversa foi sobre o assento de Emanuel no Congresso e só houve uma referência superficialmente à vaga no Senado, de acordo com as fontes. Não foi falado de nenhum trato sobre o assento". No entanto, Emanuel conversou em quatro ocasiões com John Harris, o chefe de Gabinete de Blagojevich, também acusado no escândalo, e nesses contatos foi abordada a questão da cadeira no Senado, segundo Stephanopoulos. O chefe de Gabinete de Obama lembrou a Harris que Blagojevich devia se concentrar na mensagem que a seleção enviaria sobre o governador.   Em um dos casos, segundo o apresentador, mencionou a assessora de Obama, Valerie Jarrett, como uma possível candidata, e Harris disse que, nesse caso, "tudo o que recebemos (em troca) é agradecimento, verdade?" "Verdade", respondeu Emanuel. A divulgação do relatório se apresenta, inicialmente, como a única interrupção das férias de Obama, que, no entanto, seguirá preparando a transição, segundo sua equipe. O presidente eleito manterá no Havaí as sessões informativas dos serviços de inteligência que recebe diariamente e dedicará também parte do tempo a preparar o discurso que pronunciará em sua posse, em 20 de janeiro.   Em sua estada na ilha, prevista até 1º de janeiro, não estão agendados comparecimentos públicos. Obama participará de uma missa em memória de sua avó Madelyn Dunham, que morreu no Havaí dois dias antes das eleições presidenciais. Após suas férias no Havaí, o presidente eleito deve retornar a Chicago brevemente antes de se mudar para Washington a tempo de que suas filhas, Malia, de dez anos, e Sasha, de sete, possam começar o trimestre em sua nova escola, a Sidwell Friends.

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