Obama deve nomear Daschle para liderar reforma da saúde

Presidente eleito pretende indicar secretário de saúde em coletiva nesta 5ª; país não tem cobertura universal

Associated Press e Reuters,

11 de dezembro de 2008 | 08h33

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deve nomear o ex-líder do Senado Tom Daschle para o Departamento de Saúde, colocando-o no comando dos esforços para a reforma do sistema de saúde do país. Segundo fontes do Partido Democrata, a indicação será feita na entrevista coletiva que será concedida nesta quinta-feira, 11, prevista para as 14 horas (horário de Brasília).   Veja também: Obama preenche novo gabinete em tempo recorde O gabinete do presidente eleito   Os EUA são um dos poucos países no mundo que não conta com um sistema universal de saúde e será o responsável pela redação do projeto de reforma do sistema de saúde americano - uma das promessas de campanha - que o presidente levará para o Congresso no ano que vem. O novo secretário comandará um departamento com 65 mil funcionários e orçamento de US$ 700 bilhões. "Ele será a voz de um tema crítico na Casa Branca", afirmou um oficial do partido sob anonimato. Nas próximas semanas, o presidente eleito também pretende nomear Steven Chu, Nobel de Física em 1997 e que comanda o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley na Califórnia, como secretário de Energia, e Lisa Jackson para a Agência de Proteção Ambiental.   Natural de Aberdeen, Dakota do sul, Daschle representou seu estado natal no Senado entre 1987 e 2004, quando foi derrotado na quarta tentativa de se reeleger. Desde então, ele tem sido conselheiro do escritório de advocacia Alston e Bird, atua como professor visitante na Universidade de Georgetown e trabalha no Centro para o Progresso Americano, um "think tank" do Partido Democrata. Daschle foi um dos primeiros políticos democratas a manifestar apoio à candidatura Obama, no início das primárias. Como veterano de Washington e do Capitólio, Daschle traz conhecimento sobre como levar em frente projetos de lei no Congresso. Ele tem um interesse particular pela saúde pública e é co-autor de um livro publicado neste ano, O que Podemos Fazer sobre a Crise no Sistema de Saúde.   A saúde pública é um dos problemas políticos mais intratáveis dos EUA, e o eleitorado o colocou como sua terceira maior prioridade, atrás da economia e da guerra do Iraque. Os EUA atualmente gastam mais com a saúde do que qualquer outro país desenvolvido, e mesmo assim há 47 milhões de pessoas sem direito a atendimento. Em geral, as pessoas possuem planos de saúde das empresas onde trabalham, mas os patrões se queixam dos custos explosivos, que estariam prejudicando sua competitividade no mercado global.   Os custos com planos de saúde foram uma das razões citadas pelas fábricas de automóveis para pedirem uma ajuda de US$ 34 bilhões do governo. Os gastos com saúde representam cerca de 16% do PIB dos EUA - ou US$ 2,3 trilhões. Estima-se que a cifra suba para 20% (US$ 4 trilhões) até 2015. Daschle, ex-senador cotado para o cargo de secretário de Saúde, tem conversado com grupos de consumidores, empresários, sindicatos e profissionais da saúde.

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