Obama diz que Hugo Chávez é 'ameaça administrável'

Candidato democrata afirma a jornal chileno que pretende dialogar com Venezuela e Cuba se for eleito

Reuters,

11 de junho de 2008 | 13h14

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, descreveu o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como uma "ameaça administrável" para a segurança dos americanos e mostrou interesse em se aproximar do Brasil visando formas mais limpas de energia. Em uma entrevista publicada nesta quarta-feira, 11, pelo jornal chileno El Mercurio, Obama também se disse aberto a dialogar com os governos venezuelano e cubano caso seja eleito em novembro.  Veja também:Obama investe em Estados republicanosPossíveis vice-candidatos para ObamaObama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  O senador pelo Estado de Illinois disse ainda que o México será sua prioridade na América Latina e que sugerirá uma reforma na política migratória já em seu primeiro ano de mandato. Ao ser questionado sobre se Chávez representava uma ameaça à segurança nacional dos EUA e ao restante do continente, o democrata respondeu: "Sim, acredito que seja uma ameaça, mas uma ameaça administrável." "Sabemos, por exemplo, que ele pode ter tido envolvimento no apoio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), prejudicando um país vizinho. Esse não é o tipo de vizinho que desejamos. Acredito ser importante, por meio da Organização dos Estados Americanos (OEA) ou da Organização das Nações Unidas (ONU) adotar sanções indicando que esse tipo de comportamento é inaceitável", afirmou, na entrevista concedida em Denver. No entanto, Obama disse ser partidário de uma diplomacia direta com a Venezuela e com os demais países do mundo. "Eu daria início a negociações como os nossos inimigos de Cuba e da Venezuela. Eu cancelaria as restrições de viagem aos que possuem familiares em Cuba. E quero unir-me a países como o Brasil para buscar formas mais limpas de energia", afirmou na entrevista, cujos direitos exclusivos pertencem ao jornal The New York Times. "Aprovei o Tratado de Livre Comércio com o Peru, mas me oponho ao da Colômbia até termos certeza de que líderes sindicais não estão sendo mortos ali. É preciso colocar fim a esse tipo de ação paramilitar", defendeu. O candidato, que conquistou a vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais ao derrotar a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton, disse estar interessado em aproximar-se do México de uma maneira que o governo do atual presidente americano, George W. Bush, não fez, com vistas a promover o desenvolvimento econômico e a criação de vagas no mercado de trabalho. "Mais oportunidades de trabalho lá (no México) significam menos ilegais chegando aos EUA", acrescentou. Na entrevista, Obama disse que, quando chegasse à Casa Branca, uma das primeiras coisas a ser revista seria a questão das operações policiais de repressão aos imigrantes ilegais e das deportações dessas pessoas. "Não creio que prender uma mãe, separá-la de seu filho e deportá-la, sem medir as conseqüências disso, seja a forma americana de fazer as coisas", afirmou. Obama afirmou também que, ao terminar a guerra no Iraque, "poderemos voltar a nos concentrar na América Latina".

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