Obama diz que não permitirá questões sobre seu patriotismo

Democrata enfrenta críticas após um aliado ter questionado a atuação de McCain no serviço militar

Reuters e AP,

30 de junho de 2008 | 16h37

O candidato democrata à Presidência americana Barack Obama rejeitou nesta segunda-feira, 30, questões sobre seu patriotismo, enquanto enfrenta ataques dos apoiadores de seu rival republicano John McCain, veterano das Forças Armadas e ex-prisioneiro de guerra.   Veja também: Obama não irá diminuir gastos militares, diz assessor Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Obama começou a semana da independência americana, que será celebrada na sexta-feira, com um longo discurso enaltecendo as virtudes americanas. Ele disse que questões sobre o patriotismo é algo "tóxico, remanescente da cultura de guerra dos anos 60."   Em um claro sinal de que o assunto é um problema para sua campanha, o democrata disse que não irá se sentar e assistir seu amor pelo país ser questionado por rivais políticos.   "Nunca questionarei o patriotismo de outros nessa campanha. E não me sentarei sem tomar atitudes enquanto escuto outros questionando a minha", declarou o senador democrata, em um discurso na biblioteca presidencial Harry Truman em Missouri.   Enquanto Obama falava, os explosivos comentários do ex-general Wesley Clark, apoiador de sua campanha e algumas vezes mencionado como um possível vice na chapa democrata, ainda repercutiam. Em entrevista à televisão americana no domingo, Clark disse que a atuação militar de McCain é exagerada, uma vez que ele não tomou importantes decisões de combate.   O candidato republicano passou cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, após seu avião ser abatido em Hanói. "Eu não acho que entrar num avião de combate e ser abatido é uma qualificação necessária para ser presidente", declarou o ex-general.   Obama se distanciou do discurso sem mencionar o nome de Clark. Um porta-voz, Bill Burton, afirmou que o democrata rejeita os comentários do ex-general.   "Ninguém deve desvalorizar esse serviço, especialmente como objetivo de uma campanha política, que agora vai para apoiadores dos dois lados. Nós devemos sempre expressar nossa profunda gratidão aos serviços de nossos homens e mulheres de uniforme", defendeu Obama.   Resposta republicana   Questionado sobre os comentários de Clark, McCain respondeu que "esse tipo de coisa é desnecessária. Eu tenho orgulho da minha atuação, e tenho muitos amigos e líderes que poderiam atestá-la."   "Se é nesse tipo de campanha que o senador Obama, seu substituto e seus apoiadores querem se engajar, eu entendo. Mas isso não reduzirá o preço do galão de gasolina em um centavo, nem trará nossa independência energética", continuou o candidato republicano.   Em um conferência com alguns colegas de McCain, organizada para defender o republicano, Orson Swindle, que também estava no campo de prisioneiros, disse que os democratas estão "jogando na política". "Aparentemente, Obama está permitindo isso, o que é muito decepcionante", acrescentou.   Durante a campanha, Obama enfrentou insistentes críticas por não usar um broche com a bandeira americana na lapela de seu paletó, o que é visto como um símbolo de patriotismo por alguns políticos nos EUA. Agora, ele usa o acessório freqüentemente.

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