Obama e Bush trabalham juntos para acalmar os mercados

Fed anuncia US$ 800 bilhões para ajudar mercado de crédito; BC vai comprar dívidas relacionadas a hipotecas

Agências internacionais,

25 de novembro de 2008 | 12h39

O presidente dos EUA eleito, Barack Obama, está trabalhando com o presidente George W. Bush para aumentar a confiança dos mercados financeiros depois das grandes perdas das últimas semanas. Segundo a edição desta terça-feira, 25, do jornal The New York Times, os trabalhos entre as equipes do atual e do novo governo estão sendo coordenados por assessores, que já atuaram juntos na operação de resgate do Citigroup, anunciada no fim de semana.   Veja também: Obama volta a falar sobre crise financeira Obama nomeia equipe e pede dedicação a plano de estímulo Obama terá pacote de até US$ 700 bi no dia da posse, diz senador O gabinete do presidente eleito   Bush afirmou que seu sucessor seria informado de cada "grande decisão" da atual administração, pois "é importante para o povo americano saber que existe uma cooperação estreita". Para acalmar o mercado financeiro, o Federal Reserve, em mais uma forte intervenção no sistema financeiro, anunciou nesta terça-feira, 25, um programa de US$ 600 bilhões para comprar dívidas relacionadas a hipotecas e ativos e US$ 200 bilhões para ajudar o crédito aos consumidores.    Dentro da Linha de Empréstimos de Títulos Lastreados em Ativos a Termo (Talf, na sigla em inglês), o Fed irá estender até US$ 200 bilhões em empréstimos non-recourse para os detentores de títulos lastreados em ativos que têm como colateral empréstimos a consumidores e pequenas empresas, como empréstimos estudantis, para aquisição de automóveis e empréstimos concedidos via cartão de crédito. O empréstimo non-recourse implica que, em caso de default, o credor pode confiscar o colateral, mas não pode ir atrás do tomador do empréstimo para buscar compensação adicional, mesmo que o colateral não cubra a quantia total do calote.   O Departamento do Tesouro dos EUA, por sua vez, irá conceder US$ 20 bilhões em fundos dentro do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp) para apoiar a iniciativa. "O Talf tem o intuito de aumentar a disponibilidade de crédito e apoiar a atividade econômica ao facilitar novas emissões de títulos lastreados em ativos garantidos por empréstimos ao consumidor e a pequenas empresas a spreads de juro mais normais", disse o Fed, em comunicado. Além disso, o banco central norte-americano vai comprar até US$ 100 bilhões em dívidas emitidas por Fannie Mae, Freddie Mac e pelo Federal Home Loan Banks. O Fed também irá comprar até US$ 500 bilhões em ativos hipotecários garantidos por Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae.   O plano tem como objetivo atingir o centro dos problemas econômicos dos Estados Unidos, o problemático mercado imobiliário. "Esta ação está sendo tomada para reduzir o custo e aumento a disponibilidade de crédito para compra de moradias - o que, por sua vez, deve dar sustentação aos mercados imobiliários e contribuir para a melhora das condições financeiras de modo geral", destacou o Fed em comunicado.   De sua parte, Obama quer assegurar aos americanos e investidores estrangeiros que não haverá vácuo no comando dos EUA durante a transição de governo, afirmando que seus assessores econômicos já teriam começado a trabalhar. Entre os escolhidos para a formação da nova administração está Timothy Geithner, atual presidente do Federal Reserve (o banco central) de Nova York, que será o secretário do Tesouro em seu governo.   Lawrence Summers, secretário do Tesouro no governo Bill Clinton, será presidente do Conselho Econômico Nacional, de onde irá assessorar o presidente em questões econômicas e coordenar ações de diversas agências. Christina Romer, professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, especialista em depressão dos anos 30, será a presidente do Conselho de Assessores Econômicos, encarregada de políticas de longo prazo e pesquisas. E Melody Barnes, integrante da equipe de transição de Obama, será presidente do Conselho de Política Doméstica, que cuidará de questões de longo prazo, como a reforma do sistema de saúde.   (Com Reuters e Agência Estado)   Matéria atualizada às 13h57

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