Obama é festejado nas ruas de Kisumo; avó fala à imprensa

Moradores da cidade corriam e cantavam, carregando galhos de árvores e cartazes roxos com fotos do 'irmão'

Ferdinando Casagrande, do estadao.com.br,

05 de novembro de 2008 | 16h00

Os moradores de Kisumu despertaram nesta quarta-feira,5, com a voz grave de Barack Obama ecoando em todos aparelhos de rádio e de televisão da cidade. Não que estivessem dormindo. Muitos, na verdade, passaram a noite em claro para acompanhar os resultados da eleição americana, por causa da diferença de fuso horário. Mas às 8h, quando o vozeirão transmitido ao vivo de Chicago encheu o ar, a população despertou da ansiedade para o estado de euforia. Era o primeiro discurso de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos.  Veja também:Veja vídeo da festa africana   No clã dos Obamas  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 1) Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 2) Veja o perfil do novo presidenteImagens do dia de votação nos EUA  Trajetória de Obama  Veja a cobertura online  Diário de bordo da viagem ao Quênia Veja a apuração das eleições  Sarah, meia-avó de Obama, em coletiva de imprensa após vitória do neto. Foto: Ferdinando Casagrande/AE Imediatamente, centenas pessoas foram para as ruas festejar. Carregando galhos de árvores e cartazes roxos com fotos de Obama, os manifestantes corriam pelas avenidas da cidade, pulando e cantando músicas em homenagem ao "irmão" Obama. Eram acompanhados por boda-bodas (bicicletas que fazem transporte de passageiros), tuk-tuks (pequenas motocicletas para 3 pessoas) e matatus (lotações) repletos de pessoas, que buzinavam para não deixar dúvidas do júbilo pelo fato de o primeiro homem negro a governar os Estados Unidos ser filho de um queniano. Respostas sob o sol A 60 quilômetros dali, onde toda essa história começou, a meia-avó Sarah Obama se preparava para enfrentar outra multidão. No jardim de sua casa em Kogelo, do lado de dentro dos portões, 68 jornalistas de todas as partes do mundo se aglomeravam em frente ao pequeno espaço organizado para a entrevista coletiva. Torrando sob sol inclemente do Quênia, eles trocavam cotoveladas e xingamentos na procura do melhor lugar enquanto esperavam por Mama Sarah. Ninguém sabia ainda em qual das cadeiras de plástico dispostas à frente de suas câmeras ela iria se sentar, mas isso era detalhe. O importante era ser o primeiro da fila e atrapalhar ao máximo o concorrente ao lado. Às 10h30, Mama Sarah colocou fim às briguinhas entre os caçadores de notícias. Apareceu acompanhada pela neta Auma Obama, meia-irmã de Barack, para a entrevista. Visivelmente mais descontraída, deixara em casa o semblante carregado que usara na missa da tarde anterior. Começou dizendo, em Luo, que estava muito feliz pela vitória do neto e pelo mundo todo, porque ele seria um grande líder. "Agora vamos comer muito, de todas as comidas típicas, especialmente chapati (espécie de panqueca feita de farinha trigo e água)", divertiu-se. "É assim que festejamos aqui, com grandes refeições em família." Ela já tinha falado com o neto ao telefone? "Não, ele deve estar muito ocupado agora, nem teria como falar conosco", respondeu, sempre em Luo, e traduzida por Auma. "Mas eu sei que vamos falar com ele logo, assim que ele tiver um descanso." Agora que o neto estava eleito, a vida da família ia mudar? "Nós já temos uma vida boa, não acho que precise mudar nada", afirmou. "Se alguma coisa mudar, que mude para todos os quenianos e não apenas para nós. Somos apenas uma família comum." A vitória do neto, por ser o primeiro negro na presidência dos Estados Unidos, era um fato histórico tão importante quanto a chegada do homem à lua? "Eu não colocaria as coisas em termos de brancos e negros. Barack foi eleito porque os americanos estavam cansados do que tinham e queriam uma mudança." Que conselho ela daria para o neto, agora que ele vai governar os Estados Unidos? "Eu só peço a ele que trabalhe muito pela paz no mundo todo." Mais umas perguntas genéricas, respostas idem, Mama Sarah começa a se cansar do sol, pede para encerrar. Uma última questão: Mama Sarah pensa em ir aos Estados Unidos para assistir à festa de posse? "E vocês acham mesmo que eu iria perder uma ocasião dessas?"

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