Obama e Hillary entram em disputa racial por eleitores

Hillary nega que tenha criticado Luther King; pré-candidata acusa rival de distorcer fala para causar polêmica

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2008 | 09h28

Hillary Clinton e Barack Obama entraram em atrito em uma disputa racial pelo grande número de eleitores negros do Estado da Carolina do Sul, responsáveis por 50% dos votos na eleição de 2004. As prévias democratas acontecem daqui a duas semanas, no dia 26, e os pré-candidatos já endureceram seus discursos.   Conheça os pré-candidatos Cobertura completa das eleições  Eleições nos EUA    A pré-candidata democrata, Hillary Clinton, defendeu-se das críticas que recebeu após afirmar no dia 7 que a luta do ativista negro Martin Luther King pela igualdade racial concretizou-se apenas em 1964, quando o então presidente, Lyndon Johnson, aprovou a lei de direitos civis. Ela acusou Obama, o seu maior rival no partido pela candidatura, de distorcer suas palavras para ganhar pontos para a sua campanha política.   "O sonho do doutor King só começou a realizar-se quando o presidente Johnson firmou a lei. Foi preciso um presidente para fazê-lo", tinha dito Hillary. "Esse é um assunto infeliz que a campanha de Obama transformou em polêmica", disse a senadora, acusando o rival de trazer a tensão racial para a campanha.   Porém, assim que Hillary afirmou que a campanha presidencial não seria racial, um importante aliado negro da ex-primeira-dama, a Black Entertainment Television, fundada por Bob Johnson, criticou Obama e suas declarações sobre o uso de drogas na adolescência. "Como um afro-americano, me senti insultado pela campanha de Obama, que acredita que somos estúpidos a ponto de pensar que Hillary e Bill [Clinton], que se envolveram profundamente e emocionalmente com as causas negras, quando Obama fazia algo na vizinhança; não direi o que ele fazia, mas ele contou em seu livro", disse Johnson. O pré-candidato falou em seu livro sobre o uso de drogas na adolescência - maconha, álcool e algumas vezes cocaína.   Mais tarde, Johnson afirmou que seu comentário era sobre o trabalho de Obama em uma comunidade em Chicago "e nada mais. Qualquer outra sugestão é simplesmente irresponsável e incorreta". Durante campanha em Las Vegas, Obama se recusou a responder os comentários de Johnson.   Hillary disse ainda que King é uma das figuras a quem ela "mais admira no mundo". "Ele não fazia apenas discursos. Ele participou de protestos, foi espancado e preso", disse a senadora, ressaltando que o próprio King fez campanha para Johnson pois sabia da necessidade de eleger um presidente que transformasse os direitos civis em lei.

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