Obama e McCain intensificam ataques antes de segundo debate

Republicano chama rival de 'hipócrita' e democrata acusa candidato de não ter plano para crise econômica

Agências internacionais,

07 de outubro de 2008 | 18h02

Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, elevaram o tom de suas acusações nesta terça-feira, 7, a poucas horas do segundo debate eleitoral e com as pesquisas indicando o favoritismo do democrata. Obama e McCain se enfrentarão a partir das 22h (horário de Brasília), em Nashville, no Tennessee. Assim como o primeiro debate, este segundo confronto terá 90 minutos de duração.   Veja também: Assista ao debate ao vivo no MySpace do evento  Obama lidera em quatro Estados cruciais Em dia de debate, Obama lidera em pesquisa Obama vincula McCain a escândalo financeiro Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Durante uma hora e meia, eles responderão a perguntas do público e a outras de algumas das mais de seis milhões de pessoas que enviaram perguntas através do MySpace aos organizadores do debate. Os candidatos devem responder de 15 a 20 questões selecionadas pelo mediador Tom Brokaw, da emissora NBC, e dos eleitores indecisos que compartilharão o cenário com Obama e McCain.   O debate entre candidatos à presidência dos Estados Unidos dará uma das últimas e melhores oportunidades para McCain conter o avanço do rival. Segundo a última pesquisa do The Wall Street Journal, o candidato democrata supera seu adversário republicano em seis pontos percentuais e, de acordo com a rede CNN, Obama está em vantagem em pelo menos cinco dos Estados mais disputados: Indiana, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio e Wisconsin.   Diante do cenário favorável a Obama, a campanha do republicano lançou nesta terça em todo o país um anúncio televisivo de 30 segundos intitulado "hipócrita", no qual acusa o democrata de recorrer a "falsidades" quando questiona sua trajetória.   A imediata resposta da campanha democrata foi um vídeo intitulado "o tema", em alusão à crise econômica, no qual destaca que McCain está desligado da realidade, não tem idéias nem um plano para a economia e recorre a táticas enganosas para desprestigiar seu adversário.   Como "os americanos perdem seus empregos, casas e economias, é hora de (escolher) um presidente que mude a economia, não que mude de tema", ressalta o anúncio. É nesse contexto que os candidatos participarão do debate desta noite na Universidade Belmont, acompanhados por milhões de espectadores.   Missão de McCain   Para James Lindsay, analista da Universidade do Texas, este debate será fundamental, sobretudo para McCain, que aparece atrás nas pesquisas e pode tirar vantagem de um formato no qual, em princípio, se sente confortável.   Alguns observadores prevêem que McCain continuará atacando Obama em assuntos como guerra do Iraque, política fiscal, crescente expansão do governo e seus vínculos com o militante radical Bill Ayers, o que a campanha democrata negou.   Os democratas deixaram claro que se McCain continuar nesse caminho, topará com mais ataques sobre o escândalo financeiro dos anos 80, conhecido como "Keating five", e sua rejeição à regulação da empresa privada que, de acordo com a oposição, originou a atual crise do sistema financeiro.   Após os dois mandatos republicanos de George W. Bush, com sua baixa popularidade, em torno de 30%, McCain tem uma difícil missão, porque a mensagem democrata é de que sua eleição representará "um terceiro mandato de Bush". Por isso, McCain, que prometeu mudar a cultura política em Washington, tenta transformar o resto da disputa em um referendo sobre Obama e sua capacidade de liderar o país.   Enquanto isso, o democrata insiste em dizer que McCain continuará com as fracassadas políticas econômicas do presidente George W. Bush. "O povo diz que os detesta, mas os anúncios negativos funcionam porque nos ajudam a nos separar do outro grupo", disse Phil Bredesen, governador democrata do Tennessee, em declarações à imprensa estrangeira.   Outros cenários   É muito possível, porém, que o debate represente certa trégua. Kristine Lalonde, especialista em história eleitoral da Universidade Belmont, disse que "na presença de eleitores de carne e osso é mais difícil recorrer a ataques, porque o povo lhes apresentará casos reais sobre os problemas do país."   "Cada um trará suas próprias histórias de dor, desde o aposentado que perdeu suas economias até o que está sem trabalho. McCain não poderá mudar de página porque a crise não vai desaparecer, e são assuntos que merecem respostas", disse.   O confronto desta noite é o segundo dos três debates previstos até as eleições, em 4 de novembro. O último embate entre Obama e McCain acontecerá no dia 15 de outubro, em Hempstead, Nova York.

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