Obama e McCain propõem aumento de seguro para depósitos

Candidatos tentam contornar rechaço do Congresso com propostas para aprovação do plano econômico

Agências internacionais,

30 de setembro de 2008 | 11h02

O republicano John McCain e o democrata Barack Obama trataram nesta terça-feira da crise na economia norte-americana, um dia depois de o pacote de socorro ao sistema financeiro ter sido rejeitado pela Câmara dos Representantes. Os rivais concordaram em propor um aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil do valor dos depósitos bancários garantidos pelo governo.   Veja também: Crise transforma campanha em troca de acusações  Casa Branca negociará saída para crise financeira Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA Entenda a crise nos EUA    A Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC, em inglês) garante os depósitos bancários até US$ 100 mil, e vários analistas e comentaristas reiteraram durante dias a milhões de poupadores e depositários que não devem se preocupar com seu dinheiro.   Obama fez sua proposta em comunicado divulgado nesta manhã, enquanto McCain disse à CNN que mesmo falou com o presidente George W. Bush e fez essa mesma recomendação. Para McCain, os parlamentares não conseguiram explicar às pessoas comuns os benefícios do plano - que o pacote, chamado por ele de "esforço de resgate", fosse para todas as pessoas dos Estados Unidos. "As pessoas vão perder seu crédito, sua capacidade de fazer compras de suas necessidades", disse McCain.   O republicano disse que falou com o presidente George W. Bush na manhã desta terça-feira e propôs um plano de três pontos. Entre as propostas estava o uso de um fundo de estabilização do Tesouro de US$ 250 bilhões, para socorrer as instituições do país; o aumento dos limites de depósitos garantidos pelo governo, dos atuais US$ 100 mil para US$ 250 mil; e que o Tesouro começasse a comprar até US$ 1 trilhão em hipotecas, enquanto o Congresso trabalha para aprovar o pacote de ajuda ao setor financeiro.   Já o democrata Obama também propôs o aumento dos limites garantidos pelo governo, também para US$ 250 mil. Segundo ele, isso seria "um passo que iria fomentar os pequenos negócios, tornar nosso sistema bancário mais seguro e ajudar a restaurar a confiança pública em nosso sistema financeiro". O senador também afirmou que "a maioria das famílias nos EUA pode ficar tranqüila, no sentido de que os depósitos que têm em nossos bancos têm garantia".   Apesar de a garantia, colocada em prática durante a Grande Depressão dos anos 30, "ser mais que adequada para a maioria das famílias, não é suficiente para que muitas empresas pequenas mantenham contas bancárias para os salários, comprar provisões, investir na expansão e criação de empregos", disse Obama. Acrescentou que "o limite atual do seguro em US$ 100 mil foi estabelecido há 28 anos e não foi ajustado pela inflação". "Por isso, proponho que se eleve o limite de garantia da FDIC para US$ 250 mil, como parte do pacote de ajuda econômica, um passo que fortalecerá as empresas pequenas, tornará mais seguro nosso sistema bancário e ajudará a restaurar a confiança pública em nosso sistema financeiro", afirmou Obama.   McCain destacou que o Departamento do Tesouro americano também tem a capacidade de comprar hipotecas no valor de US$ 1 trilhão. "Deveríamos ir em direção a isso enquanto trabalhamos na aprovação da lei", disse. O candidato republicano destacou que "atualmente os americanos têm medo", por isso considerou importante fazer agora um plano a curto prazo, "e depois outro a longo" prazo.

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