Obama e McCain questionam socorro ao setor financeiro

Candidatos presidenciais pedem mais supervisão no setor para o plano de governo proposto por Bush

Agência Estado e Dow Jones,

22 de setembro de 2008 | 12h17

Os rivais na disputa pela Casa Branca demonstraram dúvidas no domingo, 21, sobre o plano de socorro do governo ao sistema financeiro, estimado em US$ 700 bilhões. Tanto o candidato democrata, Barack Obama, como o republicano, John McCain, pediram mais supervisão sobre o setor, além de trocarem ataques. Obama classificou o valor proposto pela administração Bush como "assombroso". Para ele, o apoio não oferece um plano de fato para consertar a economia. O oposicionista aproveitou para atacar McCain por apoiar políticas que fomentaram a crise atual. Veja também:Obama x McCainEntenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA  Já o candidato republicano advertiu que a proposta dava ao governo muito poder para gastar até US$ 1 trilhão para socorrer o sistema financeiro. O senador por Arizona utilizou ainda o termo pejorativo "pára-quedas dourados" para os executivos que cometeram erros. A crise financeira afetou a corrida presidencial, enquanto o Executivo e o Congresso, liderado pelos democratas, discutem os termos do plano de socorro. As divergências entre os candidatos sobre economia antecipam o duelo previsto para sexta-feira, quando ocorre o primeiro dos três debates presidenciais, no Mississippi. A eleição será em 4 de novembro. McCain afirmou que Obama demonstra "falta de liderança" tanto ao tratar da crise financeira como da guerra no Iraque. Para o republicano, o senador por Illinois coloca sua carreira à frente dos interesses nacionais. O republicano pediu a formação de um comitê de monitoramento, formado por figuras respeitadas no mundo dos negócios. Ele citou o bilionário Warren Buffett, seu rival nas primárias partidárias Mitt Romney e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. McCain também defendeu que nenhum executivo das empresas socorridas pelo dinheiro público receba mais que o maior salário pago no governo federal. "Cheque em branco" Obama pediu também contrapartidas ao auxílio federal. "Eu não creio que pode ser um cheque em branco", avaliou. "Nós podemos estabelecer um sistema em que haja um monitor independente, talvez com o presidente do Federal Reserve Bank (FED, o banco central dos EUA) e democratas e republicanos nomearem cada um alguém para monitorar o sistema." Em postura semelhante à do secretário do Tesouro, Henry Paulson, Obama disse que os parceiros comerciais dos EUA devem ajudar a suportar o peso da "crise global". Em entrevista à CBS, o democrata afirmou que McCain demorou a pedir mais regulação sobre o mercado financeiro. O aprofundamento da crise aparentemente ajudou o candidato democrata na corrida presidencial. Se após as convenções partidárias os dois apareciam empatados, Obama ostenta agora uma pequena margem de vantagem nas últimas pesquisas, ainda que a disputa siga bastante equilibrada.

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