Obama e McCain transformam batalha eleitoral em piadas

Um dia após o debate, candidatos brincam com ataques da campanha presidencial durante jantar beneficente

Associated Press e Reuters,

17 de outubro de 2008 | 07h48

 Somente um dia após os ataques acalorados do último e decisivo debate presidencial, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain brincaram com os ataques pessoais feitos ao outro durante um jantar beneficente na noite de quinta-feira, 16. Os dois se cumprimentaram com um aperto de mãos promovido pelo cardeal da cidade, Edward Egan. Mais relaxados, os dois nem pareciam disputar a presidência dos EUA.  Veja também:'Washington Post' apóia candidatura de Barack ObamaMcCain perde última chance de virar disputa Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA No discurso, Obama brincou o tempo inteiro com o adversário e os ataques pessoais que recebe. "As pessoas falam a respeito de uma surpresa de outubro. A surpresa de outubro é o meu nome do meio, Steve. Sim, eu me chamo Barack Steve Obama", disse o democrata, cujo verdadeiro nome do meio é Hussein. "A campanha de McCain está dizendo que eu ando por aí com pessoas estranhas e perigosas. Eu tenho de confessar que isso é verdade. Eu comecei a andar com esse tipo de gente desde que entrei para o Senador americano", brincou o senador, que arrancou gargalhadas da platéia, e até mesmo de McCain. McCain começou afirmando que um de seus altos assessores fora substituído por "Joe, o encanador". Ele se referia a um morador de Ohio que se tornou um dos focos do debate da quarta-feira, pois havia questionado Obama em um comício se pagaria mais impostos caso o democrata virasse presidente. McCain usou o personagem no debate para comparar os dois candidatos em relação ao tema dos impostos. "Joe, o encanador recentemente assinou um contrato bastante lucrativo com um casal rico para cuidar de todo o serviço nas sete casas deles", prosseguiu McCain. O republicano fazia referência a ele mesmo - McCain foi questionado durante a campanha por não saber quantas casas tinha com a mulher. O senador por Arizona ainda brincou, dizendo que a senadora democrata Hillary Clinton estaria na verdade torcendo por McCain. Hillary e Obama tiveram uma dura disputa nas primárias, por fim vencida pelo senador por Illinois. Ele ainda fez graça com o fato de, num debate anterior da campanha, ter se referido a Obama como "aquele lá". "Ele não liga. Na verdade, ele também arrumou um apelido para mim: George Bush", disse o republicano, que costuma contestar as comparações que o democrata traça entre seu rival e o impopular presidente George W. Bush.  Quando o candidato democrata assumiu o microfone, disse que precisaria corrigir alguns equívocos correntes, já que a campanha de McCain insiste em perguntar "Quem é Barack Obama?". "Não nasci numa manjedoura", explicou ele, acrescentando que Barack, nome dado por seu pai, que era queniano, vem do idioma suahíle e significa "aquele lá" - justamente o termo usado por McCain no debate. Ele também justificou o fato de seu segundo nome ser Hussein. "Eu recebi o nome do meio de alguém que não achava que um dia eu iria disputar a Presidência", disse.  McCain ainda jogou pressão para cima do rival no jantar, ao dizer que todos ouviriam agora o discurso mais engraçado de suas vidas. Talvez o democrata não tenha chegado a tanto, mas agradou a platéia ao fazer piadas sobre a idade de McCain e o fato de o Partido Republicano usar colunas gregas estilizadas em sua convenção nacional, o que foi visto como de mau gosto por alguns. Por fim, os dois adversários trocaram elogios, dentro do espírito ameno que predominou no encontro. Foram arrecadados perto de US$ 4 milhões para crianças necessitadas no jantar, organizado pela Arquidiocese Católica de Nova York. Euforia democrata Mais cedo, Obama alertou seus correligionários de que a campanha ainda não acabou e não se pode relaxar nos últimos dias antes da eleição, apesar da vantagem nas pesquisas. "Para aqueles que se sentem muito confiantes de que já está tudo certo, tenho apenas duas palavras: 'New Hampshire'", disse Obama durante comício em na cidade de Londonberry. O democrata se referia à derrota sofrida nas primárias de New Hampshire para Hillary Clinton, apesar de as pesquisas indicarem que ele venceria. "Já estive nessa posição antes, quando parecíamos seguros, a imprensa começou a exagerar e acabamos apanhando." Nos EUA, é o resultado da disputa no Colégio Eleitoral que define o vencedor das eleições. Cada Estado tem direito a um determinado número de delegados ao colégio, que varia de acordo com sua população. A Califórnia, por exemplo, Estado mais populoso do país, tem 55 votos. Montana, Alasca e Wyoming, bem menos populosos, têm 3 votos. O total de votos - a soma de todos os Estados - é de 538. Ou seja, quem obtiver 270 será eleito presidente. Na maior parte dos casos, o candidato vencedor em um Estado recebe todos os votos dos delegados desse Estado - apenas Nebraska e Maine dividem seus votos de acordo com distritos. É por isso que é possível que um candidato vença a eleição no Colégio Eleitoral, mas tenha menos votos populares que seu adversário em todo o país. Isso ocorreu em 2000, quando o democrata Al Gore obteve 500 mil votos a mais que o republicano George W. Bush, mas perdeu a eleição no Colégio Eleitoral (271 a 267).

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