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Obama enfrentará desafios históricos em lua-de-mel curta

Especialistas apontam que onda de otimismo com eleitorado deve durar no máximo seis meses

André Lachini, Agência Estado

20 de janeiro de 2009 | 07h05

Barack Hussein Obama toma posse nesta terça-feira, 20, como o 44º presidente dos Estados Unidos, após uma campanha que gerou uma onda de otimismo nos EUA e no mundo e elevou as expectativas para seu governo. Mas, em meio à pior recessão no país desde a Grande Depressão, ele terá de agir rapidamente para enfrentar desafios históricos, alertam analistas. "A lua-de-mel entre Obama e o eleitorado americano vai durar três, seis meses no máximo", prevê a professora de relações internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Cristina Pecequilo.  Veja também:Contas no vermelho são parte da herança maldita de BushEUA foram os que mais perderam com Bush, diz analista Dez lições de Bush para Obama Veja o programa da posse de Barack ObamaGaleria de fotos do show  Cronologia de Barack Obama  Imagens da família Obama    A especialista compara o desafio de Obama ao de apenas três presidentes na era moderna dos EUA: Franklin Delano Roosevelt, e, em menor medida, Ronald Reagan e Bill Clinton. Roosevelt pegou o país na pior depressão econômica mundial; o republicano Reagan tomou posse em 1981 em meio à recessão e a uma crise política grave com o Irã, enquanto Bill Clinton assumiu em 1993, herdando uma recessão moderada do governo de George Herbert W. Bush, o Bush pai.  O economista Emílio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), concorda que poucos presidentes americanos pegaram uma situação tão grave. "Obama veio para fazer reformas sociais e terá que fazer reformas econômicas e, por isso, se cercou de economistas capazes, como Timothy Geithner, que comandará o Departamento do Tesouro, e o Lawrence Summers (ex-secretário do Tesouro na era Clinton e nomeado por Obama conselheiro econômico da equipe de transição)", diz Alfieri. Cristina acredita que o principal desafio de Obama não será apenas lidar com as demissões de milhões de trabalhadores americanos, mas com os confrontos comerciais que poderão surgir com a Ásia. Atualmente, os EUA têm mais de 11 milhões de desempregados, mais de 7% da população economicamente ativa. "A economia americana é muito interdependente da asiática, principalmente da China na indústria e da Índia nos serviços", diz a professora.  "Até os anos 1970, a indústria americana manufaturava e exportava produtos; hoje, esses produtos são feitos na Ásia e exportados aos EUA", acrescenta. Alfieri concorda que existe risco de protecionismo se as medidas contra a recessão não trabalharem de uma maneira relativamente rápida. "Os descontos nos impostos prometidos por Obama serão paliativos", afirma. "O pacote que os democratas montam, que inclui muitas obras de infraestrutura, vão impulsionar o déficit", diz a cientista política. Para o ano fiscal 2009 (iniciado em outubro passado) é previsto um déficit do Orçamento de mais de US$ 1,1 trilhão. O país já acumula uma dívida pública superior a US$ 10 trilhões, para um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 13,5 trilhões. Obama chega ao poder com uma agenda muito pesada para resolver e precisa aproveitar a onda de otimismo e fazer isso rápido, reitera a professora da Unesp. Segundo ela, o fato de os democratas contarem com ampla maioria no Congresso não garantirá a aprovação fácil de todas as medidas. "Bill Clinton também teve maioria no Congresso e precisou do apoio dos republicanos para aprovar vários projetos de lei; é preciso lembrar que a maioria democrata também é ligada a setores agrícolas e industriais, além dos sindicatos de trabalhadores."

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