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Obama escolhe canal árabe para 1ª entrevista na televisão

Presidente tenta reparar danos provocados pelo governo Bush e ressalta aproximação com mundo muçulmano

Agências internacionais,

27 de janeiro de 2009 | 08h39

Em um sinal de seu desejo de reparar os danos causados por George W. Bush na diplomacia dos EUA, o presidente Barack Obama optou por dar sua primeira entrevista televisionada como mandatário para um canal de televisão árabe. Em declarações à al-Arabiya, de Dubai, Obama afirmou que EUA cometem erros algumas vezes, mas ressaltou que sua administração pretende ter uma aproximação mais diplomática do que seu antecessor e reiterou que ao mundo muçulmano que "os americanos não são seus inimigos"

 

Obama gravou a entrevista na segunda-feira enquanto seu enviado ao Oriente Médio, o ex-senador George Mitchell, iniciava uma viagem de oito dias pela região. As declarações complementaram os primeiros esforços do novo governo para estender as mãos aos líderes árabes da região, que estão cautelosos, sobre a posição dos EUA na mediação de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Segundo a BBC, Obama afirmou ter pedido que Mitchell escute as demandas das partes envolvidas no conflito antes que os Estados Unidos possam elaborar uma resposta à questão.

 

"Eu disse a ele para começar escutando. Muitas vezes, os Estados Unidos começam dando ordens, mas nós não sabemos todos os fatores envolvidos. Então, vamos ouvir. Ele vai falar com todas as grandes partes envolvidas e me dar um retorno para que possamos formular uma resposta específica", disse Obama durante a entrevista.

 

O presidente reiterou o compromisso dos EUA com Israel como aliado, e seu direito de defesa; mas sugeriu que os israelenses devem tomar decisões duras e que seu governo pressionará para que isso seja feito. "Não podemos dizer nem aos israelenses ou aos palestinos o que é melhor para eles. Eles terão que tomar algumas decisões. Mas acredito que é o momento oportuno para que ambos se deem conta de que o caminho em que estão não levará prosperidade e segurança para seu povo". Obama acrescentou: "há israelenses que reconhecem que é importante alcançar a paz. Eles estão dispostos a fazer sacrifícios se o momento for adequado e existir uma colaboração séria da outra parte".

 

Mundo muçulmano

 

Obama renovou seu apelo durante a entrevista, ressaltando que viveu na Indonésia por muitos anos - maior país de população muçulmana - e afirmou que suas viagens aos países islâmicos o convenceram de que, apesar da fé, as pessoas têm esperanças e sonhos em comum. "Meu trabalho com o mundo muçulmano é comunicar que os americanos não são seus inimigos. Nós cometemos erros algumas vezes. Nós não temos sido perfeitos", afirmou.

 

Durante a entrevista, o presidente dos Estados Unidos ainda afirmou que o Irã "agiu de um modo que não conduz à paz e à prosperidade da região", mas não descartou a hipótese de dialogar com o país. "Suas ameaças contra Israel, sua busca por uma arma nuclear e seu apoio a organizações terroristas, nada disso ajudou", disse. "Mas eu acho que é importante que estejamos abertos para negociar com o Irã, para expressar de maneira clara nossas diferenças e descobrir os potenciais caminhos para o progresso. (...). Como eu disse em meu discurso de posse, se países como o Irã quiserem abrir seus punhos, encontrarão nossa mão estendida", afirmou o presidente.

 

Em mais um sinal de que os Estados Unidos podem começar a mudar sua abordagem para com o Irã, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que buscará negociações diretas com o país. Depois de um encontro com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em Nova York, nesta segunda-feira, Rice afirmou que buscará "uma diplomacia vigorosa, que inclui diplomacia direta, com o Irã" a respeito de seu programa nuclear.

 

A negociação direta com Teerã era uma das promessas de campanha de Obama, que estaria, assim, desmontando mais um pilar da política externa do ex-presidente George W. Bush, que tentou manter o Irã em completo isolamento diplomático nos últimos anos. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, que colocou o poder nas mãos dos aiatolás, EUA e Irã não mantêm relações diplomáticas nem qualquer contato oficial de alto nível. A embaixadora dos EUA na ONU, porém, disse que o restabelecimento de contatos bilaterais dependeria da posição de Teerã.

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