Obama espera vitória fácil nas prévias do Mississippi

Grande eleitorado negro dá vantagem ao senador; Hillary foca esforços para primárias na Pensilvânia, em abril

Agências internacionais,

11 de março de 2008 | 08h19

Democratas no Mississippi decidirão a última de uma série de disputas pela indicação do partido entre Barack Obama e Hillary Clinton. As prévias desta terça-feira, 11, são a última chance de alavancar a campanha e redefinir a briga pela candidatura até a próxima disputa, que acontece somente daqui a seis semanas na Pensilvânia. O grande eleitorado negro do Estado torna a região favorável a Obama, que leva larga vantagem entre a população.   Veja também:   Confira a disputa em cada Estado    Conheça a trajetória dos candidatos   Cobertura completa das eleições nos EUA     Obama aposta na retomada de suas vitórias - 11 seguidas até que Hillary venceu as últimas disputas em Ohio, Texas e Rhode Island. O Mississippi tem em jogo mais 33 delegados, os quais os apoiadores de Hillary reconhecem que ela tem pequena chance de levar.   A senadora de Nova York, Hillary Clinton, fez campanha no Mississippi na semana passada, mas está na Pensilvânia desde segunda-feira, onde começou a preparação para as prévias de 22 de abril.   Obama aproveitou a segunda-feira para acabar com as especulações de que poderia aceitar ser o vice-presidente da indicação democrata com Hillary encabeçando a candidatura. Ele ressaltou que ganhou mais delegados, em mais Estados e mais votos do que a ex-primeira-dama.   "Com todo o respeito: eu ganhei no dobro de Estados da senadora, recebi muito mais votos populares e tenho mais delegados do que a senadora. Eu não sei como alguém que está em segundo lugar pode oferecer a vice-presidência para alguém que está em primeiro lugar". "Eu não sou candidato a vice-presidente, eu sou candidato a presidente dos Estados Unidos da América", disse Obama.   Mas, diante das negativas de Obama, a campanha de Hillary tratou de questionar as credenciais do senador: "O senador Obama não passou no teste de segurança nacional - ponto. Ainda há um longo caminho até a convenção em Denver, em agosto, mas qualquer pessoa escolhida para ser vice-presidente precisa estar pronta para ser comandante da nação", disse Howard Wolfson, diretor de comunicações de Hillary. Obama está furioso com o que chama de "manobra política desleal" de Hillary. "Eu não entendo - se não estou preparado, como é que eu seria um vice-presidente tão bom assim?", questionou o senador.   Muitos especialistas afirmam que uma chapa Obama-Hillary seria, de fato, imbatível. Mas, na prática, seria muito difícil os dois chegarem a um acordo. Obama como vice ofuscaria Hillary. "Seria como ter John Kennedy como vice de Lyndon Johnson", disse o cientista político James Thurber à CNN. "Não há nenhuma vantagem para Obama numa vice-presidência", disse Henry Teune, professor de Ciência Política da Universidade da Pensilvânia. "Ele não assegura sua candidatura à presidência; aliás, se um eventual governo Hillary for impopular, ele pode acabar virando o Dick Cheney democrata."   Preparação   Mesmo com as primárias desta terça, Hillary moveu seus esforços para a Pensilvânia, onde ela desviou cuidadosamente das perguntas sobre o escândalo sexual sobre o governador democrata Eliot Spitzer, seu aliado e governador do Estado de Nova York.   "Não tenho nenhum comentário sobre isso", disse ela quando questionada sobre as notícias de que Spitzer estaria vinculado a uma rede de prostituição de luxo. "Obviamente, mando os melhores desejos e pensamentos para o governador e sua família", disse Hillary.   A ex-primeira dama enfrentou caso semelhante em seu casamento com Bill Clinton. Hillary apresentou-se ao lado do marido durante viagem à Irlanda do Norte, dias depois de Clinton ter pedido perdão "à família e ao povo americano" por seu relacionamento com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. O fato de Clinton ter mentido sob juramento durante a investigação do caso extraconjugal levou o presidente democrata a um processo de impeachment, do qual acabou escapando. Em seu livro, "Vivendo a História", Hillary admitiu ter se sentido "humilhada" durante o escândalo.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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