Obama faz 'giro de estadista' por Europa e Oriente Médio

Visita de candidato democrata à Presidência dos EUA tenta dissipar dúvidas sobre experiência internacional

BBC Brasil,

18 de julho de 2008 | 09h50

O virtual candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos,  Barack Obama, deve partir nesta sexta-feira, 18, em uma viagem rumo à Europa e ao Oriente Médio, através da qual buscará reforçar suas credenciais em política externa, um dos pontos vulneráveis de sua candidatura.   Veja também: Obama arrecada US$ 52 milhões em junho Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Entre outros países, Obama deverá ir ao Iraque e, eventualmente, ao Afeganistão. O giro do senador, que deverá receber amplo destaque da mídia americana, incluirá também Reino Unido, França e Alemanha, assim como Jordânia, Israel e territórios palestinos.   Obama está usando a viagem para reverter as dúvidas de potenciais eleitores em relação à sua experiência internacional. Uma recente pesquisa realizada pelo jornal Washington Post e a rede ABC mostrou que 56% dos consultados acreditam que Obama sabe o bastante sobre temas mundiais para ser presidente. A cifra dos que pensam o mesmo a respeito de seu rival, o virtual candidato republicano à Presidência americana, John McCain, é de 72%.   A mesma pesquisa mostrou ainda que os americanos estão divididos quando indagados se Obama será um líder eficiente para os militares americanos. O número dos que disseram que sim, 48%, foi idêntico aos que responderam que não.   Críticas de McCain   As críticas feitas por McCain de que Obama formula teses a respeito da Guerra do Iraque sem conhecer o conflito de perto foi outro dos fatores que impulsionaram a viagem do democrata.   Obama só esteve uma vez no Iraque, em janeiro de 2006, e nunca foi ao Afeganistão. O senador diz que, se eleito, promoverá gradualmente a retirada das tropas americanas em 16 meses.   McCain acusa o rival de buscar a rendição, em um momento em que a estratégia americana de ampliar o número de combatentes no Iraque, promovida no ano passado, estaria contribuindo para a redução da violência no país.   Em um discurso realizado nesta semana, Obama afirmou que a Guerra no Iraque é um "desvio de atenção" em relação ao conflito que deveria ser uma prioridade para os americanos: o do Afeganistão.   Visão do Oriente   O responsável pela cadeira de Estudos Islâmicos da American University, de Washington, Akbar Ahmed, disse à BBC Brasil que acredita que a postura multilateralista de Obama tem sido extremamente bem recebida tanto entre europeus como no Oriente Médio.   Mas Ahmed afirma que a guinada política de Obama rumo ao centro, de modo a atrair eleitores, pode passar a impressão no Oriente Médio de que o democrata representa "mais do mesmo", em termos da política americana para a região.   "Existe esse perigo. Quando ele emergiu, as pessoas esperavam uma postura diferente. Mas quando ele discursou na Aipac (uma entidade lobista pró-Israel), ele disse algo que nem mesmo George Bush falou. Ele disse que Jerusalém deve permanecer permanentemente sendo parte de Israel, algo que os palestinos, naturalmente, são contra", afirmou.   Mas, segundo Ahmed, "a juventude, imaginação e energia de Obama oferecem muita esperança de que ele buscará uma resolução para o conflito entre árabes e palestinos".   O problema, afirma o analista, é que, de um modo geral, os moradores do Oriente Médio encaram os esforços iniciais de líderes americanos para região com esperança, "mas, aos poucos, a realidade se mostra complicada e acaba-se voltando para o estágio inicial".   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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