Obama ganha força para 'duelo final' com Hillary

Democrata conquista a décima vitória consecutiva e amplia vantagem; McCain vence com facilidade

Agências internacionais,

20 de fevereiro de 2008 | 08h27

As vitórias em Wisconsin e no Havaí, a décima conquista consecutiva do senador Barack Obama, na terça-feira, 19, o fortaleceram para aquela que poderá ser a etapa decisiva da disputa com a senadora Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata na corrida presidencial americana: a primária de 4 de março, que será realizada nos Estados do Texas e de Ohio.  Guterman: Hillary acabou? Pense de novo Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Para conter o avanço de Obama e seguir com chances de ober a indicação democrata, analistas acreditam que Hillary precisará vencer por uma boa margem tanto em Ohio quanto no Texas. Obama teria agora 1.319 delegados contra 1.245 de Hillary, segundo contagem da Associated Press, sendo necessários 2.025 para garantir a nomeação. Obama não perdeu tempo e já realizou seu discurso de vitória em Houston, no Texas. "Houston, acho que nós decolamos", afirmou, brincando com o fato de a cidade abrigar um centro espacial da Nasa, a agência espacial americana. O senador aludiu a sua trajetória na campanha como sendo "uma improvável jornada", que teve início há um ano, e acrescentou que sua "aposta vingou". "A mudança que buscamos ainda está meses e milhas à frente", disse Obama para uma multidão em júbilo em Houston, num discurso em que ele prometeu pôr fim à guerra no Iraque em seu primeiro ano de governo, marcando um forte contraste com McCain que apóia a guerra e é contrário a qualquer retirada precipitada. "Eu me opus a essa guerra em 2002. Eu vou pôr fim a essa guerra em 2009. É hora de trazermos nossas tropas para casa", declarou. Falando em um comício em Youngstown, Ohio, Hillary Clinton afirmou que a campanha para as primárias "se trata de escolher um presidente que se baseia não apenas em palavras, mas também em trabalho - trabalho duro para levar os Estados Unidos de volta ao trabalho". Segundo o correspondente da BBC Jonathan Beale, a vitória em Wisconsin foi significativa para Obama, porque ele obteve votos entre o eleitorado de Hillary Clinton. Foi também uma grande decepção para Clinton, senadora pelo Estado de Nova York, que esperava recuperar o ímpeto de sua campanha. Wisconsin tem um perfil demográfico semelhante ao de Ohio, com um grande eleitorado branco, sem nível educacional superior e com muitos trabalhadores ligados a sindicatos locais, um eleitorado que, até recentemente, vinha dando preferência a Hillary Clinton. O senador também obteve o voto de jovens e de seis em cada dez autodenominados eleitores independentes, segundo as pesquisas de boca de urna da ABC.  Na quinta-feira, a rede CNN realizará um debate com os dois pré-candidatos democratas no Texas. Hillary Clinton vinha acusando o rival de estar evitando debates. A campanha de Obama revidou dizendo que o senador já participou de 18 debates até o momento. Críticas a McCain Em Wisconsin, McCain consolidou liderança entre republicanos. Já agindo como o favorito na disputa democrata, Obama atacou o seu rival republicano, o senador John McCain, que também venceu em Wisconsin nesta terça-feira e é o favorito para obter a indicação do Partido Republicano à disputa pela Casa Branca. Obama afirmou que o senador de 71 anos de idade "representa as políticas de ontem, e nós queremos ser o partido do amanhã". McCain, que realizou o seu discurso de vitória em Ohio, lançou farpas contra Obama, ao dizer que o senador "faz um eloqüente, porém vazio chamado por mudança". Mudança tem sido a palavra-chave da campanha de Obama, e o senador tem se destacado por sua oratória e por seus discursos que cativam as multidões. Acusações contra Obama Segundo o jornal Washington Post, assessores da senadora Hillary Rodham Clinton acusaram o senador Barack Obama na segunda-feira de plágio em partes de um discurso recente e continuaram questionando suas promessas de reformar o sistema de financiamento de campanhas, enquanto Clinton procurava promover a idéia de que a aposta de seu rival na disputa para a nomeação democrata é construída mais sobre estilo que sobre substância.  A disputa em Wisconsin, onde Clinton se entrincheirou durante o fim de semana na tentativa de quebrar a série de oito derrotas consecutivas em primárias e caucuses, foi ficando cada vez mais negativa. Dias atrás, assessores de Clinton acusaram Obama de quebrar sua promessa de aceitar o financiamento público em lugar das doações privadas durante a eleição geral. Assessores de Obama disseram que ele não havia feito um compromisso firme de aceitar o financiamento público caso conquistasse a nomeação.  Na segunda-feira, apoiadores importantes de Clinton acusaram Obama de "plagiar" uma passagem do discurso exortativo que fez para uma reunião do partido em Milwaukee, no sábado à noite, do governador de Massachusetts, Deval L. Patrick, um velho amigo e aliado. Vídeos colocados no YouTube distribuídos a repórteres pela campanha de Clinton mostram Obama repetindo, quase palavra por palavra, frases do discurso que Patrick proferiu há dois anos. "O ponto que estamos defendendo é que o histórico do senador Obama como senador e servidor público é fraco", disse Howard Wolfson, veterano consultor de Clinton.  Respondendo à pergunta de um jornalista em Niles, Ohio, Obama disse que não acha que usar palavras de Patrick fosse "um grande problema." "Bem, veja, eu estava em campanha. Ele tinha sugerido para eu usar essas frases. Eu achei que eram boas frases", disse Obama quando lhe perguntaram por que não deu o crédito a Patrick. "Estou certo de que deveria. Não fiz desta vez." Obama voltou às afirmações de Wolfson enquanto falava com jornalistas sobre seu plano de campanha: "A idéia de que usar uma frase de um de meus colegas da campanha nacional... é alguma forma objetável, não faz sentido."  Assessores de Obama também chamaram de "curiosa" a crítica de Clinton aos planos de financiamento público de Obama. Eles observaram que ela foi a primeira candidata na disputa de 2008 a anunciar planos de rejeitar o sistema de financiamento público, tendo dito há um ano que tentaria usar contribuições privadas para financiar uma eleição geral se fosse nomeada pelo partido. (Com BBC Brasil e Washington Post)

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