Obama ignora Hillary e concentra ataques em McCain

Em Virginia Ocidental, palco das próximas prévias, senador reforça seu patriotismo e apoio às Forças Armadas

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo,

12 de maio de 2008 | 21h07

O senador Barack Obama já faz campanha como indicado do Partido Democrata, ignorando sua rival Hillary Clinton e concentrando ataques contra o republicano John McCain. Em passagem pela Virginia Ocidental, o estado com maior concentração de veteranos de guerra, Obama tentou reforçar suas credenciais de patriota e seu apoio às Forças Armadas.   Veja também: Tanto Obama quanto Hillary derrotariam McCain Resultados de prévias colocam em dúvida candidatura de Hillary Os colhões de Hillary Clinton, a lutadora  Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos   Obama criticou o senador John McCain, que se opôs à nova lei dos veteranos, que aumenta benefícios para os militares. "Tenho grande respeito pelo senador John McCain, que serviu a este país, mas ele se opôs à nova lei dos veteranos, dizendo que era generosa demais."   Obama fez campanha com Richard Danzig, que foi secretário da Marinha no governo Bill Clinton e está cotado para vaga de vice em sua chapa, e outros militares de alto escalão, para combater a crítica de que ele não está preparado para ser o comandante de uma nação em guerra.   O senador foi apresentado pelo senador Jay Rockefeller como "um cristão devoto que ama a América", frase sob medida para desfazer boatos de que Obama é muçulmano e que não é patriota, porque não usa o broche da bandeira americana na lapela e não põe a mão direita sobre o peito ao ouvir o hino nacional.   O pré-candidato passou o discurso falando sobre seu avô, veterano na Segunda Guerra Mundial, e a necessidade de boa assistência médica para os veteranos que voltam da guerra do Iraque. Discursando para uma platéia cheia de familiares de soldados, ele não enfatizou a necessidade de retirada rápida de tropas, mas sim a honra e benefícios dos soldados, de olho na eleição geral.   "Muitos de nós nos opusemos a essa guerra no início, mas todos concordamos com a importância de tratar nossos soldados como heróis."   Nos próximos dias, o senador fará comícios no Michigan e na Flórida, que tiveram seus resultados contestados, e no Missouri, todos estados importantes em novembro.   "Não vamos mais deixar John McCain andar por esses estados sem concorrência", disse Bill Burton, porta-voz de Obama. "Nossa agenda reflete o fato de ainda estarmos lutando por delegados, mas também estamos indo a lugares que serão concorridos na eleição geral."   Obama se referiu a Hillary apenas uma vez, ao dizer que espera a vitória da senadora no estado, na primária de terça-feira, 13. "Estou honrado que alguns de vocês irão votar em mim, mas sei que muitos outros aqui na Virginia Ocidental irão votar na senadora Hillary Clinton", disse. "Mas o partido vai se unificar na indicação, eu tenho certeza."   O estado favorece Hillary, que deve levar a primária por pelo menos 40 pontos porcentuais. No Kentucky, que vota na próxima terça-feira e tem perfil demográfico semelhante, Hillary tem mais de 30 pontos porcentuais de vantagem. O eleitorado - 96% são brancos, o estado é o segundo mais pobre do país, com predomínio da indústria do carvão - é claramente favorável à senadora.   "Obama não tem experiência para ser presidente, espero que Hillary não desista, nem agora, nem nunca", disse uma professora de Charleston, que não quis dar seu nome. "Eu não sei nada sobre Obama, e isso me dá medo."   De acordo com a rede NBC, Obama ultrapassou Hillary nesta segunda-feira, 12, em número de superdelegados, com 279 a 276.5 (superdelegados no exterior valem meio voto).   A CNN também considerou que Obama ultrapassou Hillary em superdelegados nesta segunda, enquanto a rede ABC e o The New York Times haviam anunciado a virada na sexta-feira. Hillary chegou a ter mais de 100 superdelegados de vantagem sobre Obama.   Hillary continuou em ritmo frenético de campanha nesta segunda-feira, fazendo comícios em quatro cidades da Virgínia Ocidental.

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