Obama indica Tom Daschle para liderar reforma da saúde

Ex-líder do Senado foi nomeado secretário de Saúde; escândalo de corrupção em Illinois domina coletiva

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2008 | 14h12

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou nesta quinta-feira, 11, a indicação do ex-líder do Senado Tom Daschle como seu futuro secretário de Saúde. "O alto custo da saúde está punindo famílias e negócios", afirmou o presidente eleito, que começou sua coletiva reafirmando que não teve contato com o governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de tentar vender a cadeira vacante de Obama no Senado. As perguntas sobre o escândalo dominaram a entrevista.   Tom afirmou que "é uma grande honra ser nomeado. Vou trabalhar junto com as pessoas desse país para criar um sistema de saúde que eles possam pagar". Ele prometeu ainda "fazer da reforma na saúde um processo aberto". A área da saúde foi uma das prioridades de campanha do democrata, que pretende reformar o sistema público nos EUA. Jeanne Lambrew, que ajudou Daschle a escrever um livro sobre reforma na saúde pública, também foi nomeada vice-diretora da secretaria.   Veja também:  Nunca falei com governador sobre vaga do Senado, diz Obama Governador ignora pedido de Obama por renúncia   EUA não podem permitir que montadoras quebrem, diz Obama O gabinete do presidente eleito   Os EUA são um dos poucos países no mundo que não conta com um sistema universal de saúde e Daschle será o responsável pela redação do projeto de reforma do atual sistema - uma das promessas de campanha - que o presidente levará para o Congresso no ano que vem. O novo secretário comandará um departamento com 65 mil funcionários e orçamento de US$ 700 bilhões. A saúde pública é um dos problemas políticos mais intratáveis dos EUA, e o eleitorado o colocou como sua terceira maior prioridade, atrás da economia e da guerra do Iraque.   Os EUA atualmente gastam mais com a saúde do que qualquer outro país desenvolvido, e mesmo assim há 47 milhões de pessoas sem direito a atendimento. Em geral, as pessoas possuem planos de saúde das empresas onde trabalham, mas os patrões se queixam dos custos explosivos, que estariam prejudicando sua competitividade no mercado global.   Obama ainda precisa especificar como pretende financiar o custo da reforma sanitária, prevista entre US$ 50 milhões e US$ 60 mi. O presidente eleito afirmou anteriormente que custearia as mudanças anulando cortes impostos pelo governo Bush para os americanos que ganham mais de US$ 250 mil por ano, entre outras medidas.   Neste mês, a equipe de transição de Obama iniciou o processo de reforma da saúde com uma série de reuniões em todo o país para identificar o que os cidadãos comuns consideram como os maiores problemas do atual sistema. Além disso, o site da transição na internet (www.change.gov) possui um fórum de discussão para sugestões para mudanças no caro e ineficiente sistema de saúde americano.   Perfil     Natural de Aberdeen, Dakota do sul, Daschle representou seu Estado natal no Senado entre 1987 e 2004, quando foi derrotado na quarta tentativa de se reeleger. Desde então, ele tem sido conselheiro do escritório de advocacia Alston e Bird, atua como professor visitante na Universidade de Georgetown e trabalha no Centro para o Progresso Americano, um "think tank" do Partido Democrata. Daschle foi um dos primeiros políticos democratas a manifestar apoio à candidatura Obama, no início das primárias.   Como veterano de Washington e do Capitólio, Daschle traz conhecimento sobre como levar em frente projetos de lei no Congresso. Ele tem um interesse particular pela saúde pública e é co-autor de um livro publicado neste ano, O que Podemos Fazer sobre a Crise no Sistema de Saúde.   Escândalo de corrupção   Respondendo aos questionamento dos repórteres, Obama disse acreditar que nenhum membro de sua equipe esteve envolvido no escândalo da venda do assento. "Estou chocado e desapontado como qualquer um", afirmou ele. "Confio que nenhum representante meu teve qualquer papel nessas discussões", continuou.   Assim como fez na quarta-feira, o presidente eleito voltou a pedir que Blagojevich renuncie. "Acredito que a confiança pública foi violada", avaliou Obama. "Não creio que, nesta altura, o governador possa servir ao povo de Illinois eficazmente. Espero que o governador chegue a essa conclusão e renuncie."    Blagojevich foi preso na terça-feira e solto em seguida, após pagar fiança. Uma transcrição de 76 páginas do FBI, a polícia federal americana, revela que o governador democrata foi pego em flagrante, com escutas telefônicas. "Eu quero fazer dinheiro", diz ele em um dos trechos da transcrição, que destaca uma conversa mantida em 10 de novembro entre Blagojevich, sua esposa Patti, John Harris, e um grupo de conselheiros.   O presidente eleito disse ainda que "essa cadeira no Senado não pertence a nenhum político para ser comercializada. Ela pertence ao povo de Illinois, e eles merecem a melhor representação possível". Até o momento, a justiça americana descarta qualquer ligação de Obama com o escândalo.  

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