Obama marca discurso para tentar abafar polêmica racial

Pré-candidato deve responder sobre declarações de um pastor religioso que foi afastado de sua campanha

Reuters,

18 de março de 2008 | 10h52

O pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama fará nesta terça-feira, 18, um discurso sobre temas raciais, com o qual tentará abafar a polêmica em torno de declarações de um pastor religioso ao qual foi ligado. Obama, que tenta se tornar o primeiro presidente negro dos EUA, disputa a indicação democrata para a eleição de novembro contra a ex-primeira-dama Hillary Clinton, que quer ser a primeira mulher presidente do país.   Veja também: Obama e Hillary empatam com McCain em pesquisa Democratas anunciam que Flórida não terá novas prévias Elton John anuncia show pró-Hillary Clinton em Nova York Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    O senador deve comentar declarações do reverendo Jeremiah Wright, que foi pastor da igreja de Chicago que Obama freqüenta há 20 anos. Em sermões muito citados na imprensa, Wright se referiu aos atentados de 11 de setembro de 2001 como atos de vingança contra a política externa norte-americana, acusou o governo dos EUA de ser a fonte do vírus da Aids e fez ataques ao suposto caráter racista do país.   A questão racial vem surgindo várias vezes na campanha nas últimas semanas, e Obama diz que isso afasta a atenção dos temas realmente importantes. O discurso foi marcado para as 10h15 (hora local) em um prédio histórico em frente ao Sino da Liberdade, Na Filadélfia. Obama ficou até tarde escrevendo-o, no domingo, e um assessor disse que haverá um forte elemento pessoal.   Obama criticou essas declarações, e Wright abandonou a função de conselheiro espiritual da campanha. Wright oficiou o casamento de Obama com sua esposa e batizou as duas filhas do casal. O senador se refere ao pastor como "um velho tio". Em entrevista à emissora PBS, Obama disse que a polêmica sobre o pastor ameaça ofuscar sua mensagem de superação das divisões raciais.   "Eu diria que isso tem sido uma distração da mensagem central da nossa campanha. Acho que parte do que tem sido a essência da minha política, não só desta campanha, mas da minha vida, é a idéia de que temos de unir as pessoas", disse Obama, que costuma destacar o fato de ser filho de uma mulher branca do Kansas com um negro do Quênia. As campanhas de Obama e de Hillary se acusam mutuamente de ter colocado a questão racial na campanha eleitoral.   Na semana passada, a ex-candidata a vice-presidente Geraldine Ferraro, que apóia Hillary, disse que Obama só conseguiu a liderança na disputa democrata porque é um homem negro.   Houve também quem se ofendesse por uma declaração do ex-presidente Bill Clinton, marido de Hillary, que em janeiro comparou a vitória de Obama na eleição primária da Carolina do Sul ao triunfo obtido em 1984 e 1988 por outro pré-candidato negro, Jesse Jackson. Críticos viram nesses comentários uma tentativa de marginalizar a candidatura de Obama, identificando-a apenas com o eleitorado negro.

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