Obama não falava com governador havia um ano, diz jornal

Blagojevich, acusado de corrupção, nunca teve relação próxima com presidente eleito, afirma 'Washington Post'

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2008 | 14h56

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e o governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de tentar vender a cadeira vacante do democrata no Senado, não se falavam há mais de um ano, informou nesta sexta-feira, 12, o jornal Washington Post. Segundo o diário, o governador raramente fez campanha para Obama e não apareceu ao lado dele nos comícios.   Veja também: Obama detalhará contatos com governador Nunca falei com governador sobre vaga do Senado, diz Obama Governador ignora pedido de Obama por renúncia EUA não podem permitir que montadoras quebrem, diz Obama O gabinete do presidente eleito   Blagojevich chegou tarde na Convenção Democrata, em agosto, e não compareceu na noite de celebração da vitória de Obama no Grant Park, em Chicago. De acordo com políticos citados pelo jornal, os dois nunca tiveram uma relação próxima e algumas vezes pareciam agir como rivais. O Washington Post indica que o governador classificava o sucesso de Obama "sorte", enquanto o presidente eleito criticava o hábito de Blagojevich chegar atrasado em eventos.   Blagojevich foi preso na terça-feira e solto em seguida, após pagar fiança. Uma transcrição de 76 páginas do FBI, a polícia federal americana, revela que o governador democrata foi pego em flagrante, com escutas telefônicas. "Eu quero fazer dinheiro", diz ele em um dos trechos da transcrição, que destaca uma conversa mantida em 10 de novembro entre Blagojevich, sua esposa Patti, John Harris, e um grupo de conselheiros.    Na quinta-feira, o presidente eleito assegurou que nunca discutiu com o governador sobre a cadeira que o deixará vaga no Senado. Com isso, ele se distanciou das acusações que envolvem Blagojevich. Em entrevista coletiva em Chicago, Obama se disse "chocado" com o caso envolvendo o governador.   Assim como fez na quarta-feira, o presidente eleito voltou a pedir que Blagojevich renuncie. "Acredito que a confiança pública foi violada", disse. "Não creio que, a esta altura, o governador possa servir ao povo de Illinois. Espero que o governador chegue a essa conclusão e renuncie."   Obama, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, renunciou a sua vaga no Senado por Illinois pouco depois de ser eleito. De acordo com a legislação americana, o governador é responsável pela escolha do substituto. No entanto, antes das eleições gerais de novembro um juiz federal havia autorizado a instalação de escutas para obter conversas de Blagojevich, que já vinha sendo investigado pelo FBI.    O presidente eleito disse ainda que "essa cadeira no Senado não pertence a nenhum político para ser comercializada. Ela pertence ao povo de Illinois, e eles merecem a melhor representação possível". Até o momento, a justiça americana descarta qualquer ligação de Obama com o escândalo.   Segundo o jornal The New York Times, foi um telefonema de Obama que desencadeou a investigação. Quando ainda era candidato, ele telefonou para Emil Jones, líder do Senado de Illinois e seu amigo pessoal, pedindo que ele aprovasse uma lei que limita a influência de doadores em campanhas políticas. O texto havia sido vetado por Blagojevich, mas o Senado de Illinois derrubou o veto. A legislação, que entra em vigor dia 1º, fez Blagojevich agir rápido, pressionando empresários por novas doações. A atitude chamou a atenção do FBI, que começou a monitorar suas ligações telefônicas.   Jesse Jackson Jr.   Em uma das gravações, o governador exigiu de um dos candidatos à vaga um emprego em uma fundação sem fins lucrativos com um salário de até US$ 300 mil por ano. Outro candidato, identificado como "candidato 5", chegou a oferecer US$ 1 milhão pelo posto.   Na quarta-feira, o advogado de Jesse Jackson Jr, filho do reverendo Jesse Jackson e deputado federal por Illinois, admitiu que ele era o "candidato 5". Jackson negou qualquer envolvimento no caso. "Eu rejeito e condeno esse tipo de jogada política. Não tive nenhum envolvimento no caso e não autorizei ninguém a prometer algo ao governador Blagojevich em meu nome", disse Jackson em coletiva à imprensa na quarta-feira à noite.

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