Obama não irá diminuir gastos militares, diz assessor

Apesar da promessa do democrata de que gastará menos na Defesa que Bush, assessor não vê corte rápido

Reuters,

30 de junho de 2008 | 15h32

O candidato democrata à Presidência americana Barack Obama não deverá fazer nenhum corte rápido nos gastos da Defesa americana se for eleito presidente, apesar de ter prometido que seu governo teria menos gastos militares que o do presidente George W. Bush, informou um assessor do senador nesta segunda-feira, 30.   Veja também: Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    "É difícil imaginar como poderíamos gastar menos com o Exército a médio prazo", afirmou Richard Danzig, ex-secretário do Exército que aconselha Obama na segurança nacional. Danzig acrescentou que os cortes poderão ser difíceis devido aos custos do plano do democrata para a retirada das tropas no Iraque e na reparação e substituição dos equipamentos das guerras no Afeganistão e Iraque.   Bush enviou um orçamento de mais de US$ 500 bilhões para o Pentágono no próximo ano fiscal, que começa em outubro. No topo da lista aparecem as guerras no Afeganistão e Iraque, que custam cerca de US$ 160 bilhões por ano.   Em 2007, os gastos militares dos EUA corresponderam a quase 45% do total mundial. Danzig informou que Obama pretende dar um papel maior ao Departamento de Estado e outras agências que possam ajudar Washington em políticas externas de objetivos pacíficos.   "Tem sido uma tendência nesta administração militarizar a segurança nacional, usando o Exército como resposta para todos os problemas", continuou o assessor do democrata.   Retirada do Iraque   Danzig disse que Obama está comprometido com a retirada de todas as brigadas de combate dos EUA no Iraque em 16 meses, mas indicou algum espaço para uma manobra baseada no conselho de comandantes militares.   "Ele esboçou um objetivo, mas certamente irá ouvir os comandantes para saber como atingi-lo, e estará atento a realidade do território", explicou o assessor.   O Iraque é um dos principais pontos de discussão entre Obama e seu rival republicano John McCain, que apóia as políticas de Bush na continuidade da guerra, deixando que os comandantes decidam os cortes nas tropas.   O candidato democrata também disse que pretende enviar pelo menos mais duas brigadas de combate - que equivale a um número entre 6 mil a 10 mil soldados - para o Afeganistão, onde a violência aumentou após o reagrupamento do Taleban e da Al-Qaeda.   Obama acusa Bush de negligência no Afeganistão para insistir em uma guerra "desnecessária" no Iraque. Os Estados Unidos têm 145 mil soldados no Iraque e 32 mil no Afeganistão, de acordo com dados do Pentágono. A violência no sul do Afeganistão precisa de uma "presença mais forte" dos EUA, conclui Danzig.

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