Obama ocupará 30 minutos da TV americana nesta quarta

Democrata compra anúncio nas principais emissoras; candidato faz campanha ao lado de Bill Clinton na Flórida

Agências internacionais,

29 de outubro de 2008 | 10h10

 O democrata Barack Obama tenta consolidar sua liderança nas pesquisas nacionais e nos Estados cruciais na disputa pela presidência dos EUA nesta quarta-feira, 29, com um anúncio de meia hora na televisão americana e em sua primeira aparição de campanha com o ex-presidente Bill Clinton em um comício na Flórida. A seis dias das eleições, o republicano John McCain também leva sua campanha para o Estado, que garantiu ao presidente George W. Bush seu segundo mandato em uma controversa recontagem de votos em 2004.  Veja também:Questão racial ameaça tirar votos ObamaRepublicanos trazem à tona suspeita de fraude em registros Enquete: Você votaria em McCain ou Obama? Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA McCain aparece em desvantagem nos principais Estados, e a disputa é acirrada até mesmo em sua casa, no Arizona, onde uma pesquisa mostrou o republicano com apenas dois pontos de vantagem sobre o rival democrata (46-44%, com margem de erro de três pontos percentuais. Segundo outra sondagem, da Universidade Quinnipiac, Obama supera McCain em Ohio (51-42%) e na Pensilvânia (53-41%). Na Flórida, a diferença é de apenas dois pontos a favor do senador democrata: 47 a 45% segundo a enquete realizada entre os dias 22 a 26 de outubro.Enquanto McCain tenta desesperadamente defender os Estados que seriam redutos republicanos, Obama lidera uma ofensiva nos Estados do sul, como a Carolina do Norte, onde um candidato americano não vence a disputa há décadas. O democrata aproveitará a mídia nesta quarta feira para ganhar os eleitores indecisos. Durante uma parada em Raleigh, ele será entrevistado pela rede ABC. Mais tarde, na Flórida, Obama participará do programa humorístico The Daily Show. Mas o destaque da maratona midiática do candidato serão os 30 minutos em que ele transmitirá durante o horário nobre desta noite. Com recordes de arrecadação, a campanha de Obama comprou por cerca de US$ 1 milhão o horário de cada uma das três emissoras (CBS, NBC e Foz). A propaganda também está programada para ser veiculada no canal de língua espanhola Univision; no BET - canal voltado para o público negro, na MSNBC e TV One. O comercial deve ressaltar os desafios que a população americana enfrenta, com as explicações de como Obama pretende ajudar. Um assessor da campanha afirmou que o anúncio contará ainda com uma entrada ao vivo de Obama na Florida. Depois da propaganda, Obama planeja aparecer ao Lando de Bill Clinton pela primeira vez em um comício na Flórida, nos arredores de Orlando, para ganhar destaque nos noticiários do fim da noite. Bill Clinton e sua mulher, a ex-primeira-dama e ex-rival de Obama na disputa Hillary Clinton, apoiaram a candidatura do democrata. Mas, desde então, Clinton fez campanha sozinho para Obama, e os dois não chegaram a aparecer juntos em nenhum evento de campanha. A região de Orlando é uma parte importante da Flórida, onde Clinton pode ajudar Obama a conseguir votos da classe média trabalhadora que apóia Hillary. O Estado votou em candidatos republicanos nas duas últimas eleições, mas as últimas pesquisas mostram a disputa acirrada. A Flórida possui 27 delegados dos 270 necessários para a vitória (10%). Na Flórida, McCain se encontrará reservadamente com ex-comandantes militares que o aconselharão sobre a segurança nacional. Ele espera fazer nesta quarta um anúncio sobre seus pontos de vista e as ameaças da nação. Assessores afirmam que ele voltará a falar que é mais preparado do que Obama para liderar os EUA nos conflitos mundiais por conta de sua experiência militar. Comparação com o Brasil Barack Obama é o primeiro candidato à presidência dos EUA em 16 anos a comprar um espaço de 30 minutos no horário nobre da TV americana. Segundo assessores do democrata, Obama assinou contratos com as redes para a exibição de um programa de meia hora sobre suas propostas. Apesar do custo dos comerciais não ter sido divulgado, uma estimativa indica que Obama pagou US$ 1 milhões para cada emissora. Comerciais de campanha de 30 minutos eram comuns na década de 60. John F. Kennedy e Richard Nixon compraram espaços na TV durante suas campanhas.  O anúncio político é um fato raro nos Estados Unidos. Antes de Obama, apenas o candidato independente e bilionário Ross Perot havia comprado em 1992 faixas de programação de trinta minutos em redes de TV. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral determina que os candidatos têm direito ao propaganda partidária gratuita e obrigatória para apresentar suas propostas nas rádios e nas emissoras de TV e impede que, meses antes das eleições, o candidato faça qualquer tipo de pronunciamento em cadeia fora da horário eleitoral gratuito.  No Brasil, as redes ganham uma compensação fiscal para veicular o horário político em horários considerados nobres para a rádio e a televisão. Segundo um decreto presidencial de janeiro de 2005, as emissoras poderão excluir de seu lucro líquido um valor correspondente a 80% do que ela receberia se vendesse o horário para a publicidade comercial. De maneira simplificada, é como se o governo, por meio da Receita Federal, comprasse o horário das emissoras de rádio e de televisão, pelo valor de 80% do preço cobrado por elas para a publicidade comercial. A exibição em horário nobre fez com que as emissoras americanas tivessem que reajustar as suas programações. Até mesmo a Liga de Beisebol do país concordou em atrasar o início de uma partida de sua Série Mundial, transmitida pela rede Fox, para permitir a exibição do comercial de Obama. Ainda não se sabe o formato exato do anúncio, se ele será um pronunciamento para a nação feito pelo candidato ou se será um documentário sobre a campanha e os temas defendidos pelo democrata.  Obama, que ao contrário do rival não recorreu ao financiamento público de sua campanha, obteve um total de US$ 660 milhões em doações - cifra superior ao dobro do total colhido pelo republicano. Por conta disso, o democrata tem superado em muito o seu rival, o republicano John McCain, em termos de anúncios de TV e de rádio, que têm sido exibidos em Estados considerados cruciais para a disputa deste ano. A campanha do democrata tem exibido um total de 7.700 comerciais por dia, o dobro do que vem sendo divulgado pela campanha de McCain. Matéria atualizada às

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