Obama pede inquérito pela espionagem de seu passaporte

'Violação dos dados é repreensível', diz Hillary; governo admite que passaportes foram acessados sem permissão

Agências internacionais,

21 de março de 2008 | 17h43

O pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama pediu nesta sexta-feira, 21, a criação de um inquérito para investigação completa da espionagem dos registros de seu passaporte. "Isso não é um problema apenas meu, é uma questão de como nosso governo está agindo", afirmou o senador num discurso em Portland, em Oregon, informou a rede CNN.   Veja também: Rice pede desculpas a Obama por acesso indevido a passaporte Hillary ultrapassa Obama em pesquisa Gallup McCain venceria Obama e Hillary, aponta pesquisa Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Ainda nesta sexta-feira, 21, o Departamento de Estado americano admitiu que os registros dos passaportes de Obama, Hillary Clinton e John McCain foram acessados sem permissão.   Um porta-voz de Hillary, adversária de Obama na disputa pela indicação democrata às eleições presidenciais de novembro, disse que "se for verdade, (a violação dos dados) é repreensível, e o governo Bush tem a responsabilidade de ir até o fundo disso".   Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, é provável que o caso tenha sido motivado por uma "curiosidade imprudente", e que uma investigação interna já foi iniciada. Dois funcionários foram demitidos e um terceiro foi submetido à "medidas disciplinares", informou o Departamento. No caso de Hillary, seus dados foram acessados por um estagiário em 2007.   A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, informou que telefonou ao senador para pedir desculpas pelo incidente. Funcionários do Departamento afirmaram ainda terem tentado ligar para McCain, que está viajando, declarou McCormac.   "Trata-se de uma ultrajante violação da segurança e da privacidade, mesmo vindo de um governo que demonstra tão pouco respeito por ambos nos últimos oito anos", disse Bill Burton, porta-voz da campanha de Obama. "O dever do nosso governo é proteger a informação privada do povo norte-americano, não usá-la para propósitos políticos", acrescentou, exigindo que os responsáveis sejam apresentados.   Em 1992, funcionários do Departamento de Estado provocaram polêmica ao vasculhar dados do passaporte e outros documentos do então candidato a presidente Bill Clinton. Autoridades disseram que o sistema de informática avisa quando dados de pessoas importantes são acessados, e que nesses casos a pessoa que a acessou é questionada sobre os motivos.

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