Obama pede que governador renuncie diante de escândalo

Acusado de tentar vender a cadeira do presidente eleito no Senado, Rod Blagojevich voltou ao trabalho

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 15h03

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quarta-feira, 10, para o governador de Illinois, Rod Blagojevich, renunciar. O porta-voz de Obama Robert Gibbs disse que o novo chefe de Estado concorda com outros políticos que "sob as atuais circunstâncias, é difícil para o governador realizar seu trabalho efetivamente e servir o povo de Illinois". Blagojevich retornou ao trabalho nesta quarta, um dia após ele e um alto membro de sua administração terem sido mantidos sob prisão domiciliar, acusado de corrupção. Entre as alegações, consta que Blagojevich tentou vender a cadeira do Senado que Barack Obama deixou vaga ao ser eleito presidente.   A detenção dele e de seu chefe de gabinete, John Harris, abriu um novo capítulo no Estado com uma longa história de problemas na eleição de autoridades. Blagojevich, que completou 52 anos nesta quarta-feira, e Harris, de 46, foram acusados de conspiração para cometer fraude e por pedirem suborno. O governador deixou sua casa na área Norte de Chicago no começo do dia e acenou para a mídia, antes de entrar rapidamente em seu carro sem falar com os repórteres que estavam do lado de fora de sua casa.   Veja também: Oposição aproveita 'venda' de cargo para atingir Obama Democratas querem eleição para sucessor de Obama no Senado Promotor descarta envolvimento de Obama  O gabinete do presidente eleito   Pouco depois, o carro chegou ao gabinete do governador na sede do governo. O veículo entrou direto na garagem subterrânea, passando por uma série de fotógrafos. O líder da Câmara de Illinois, o democrata Michael Madigan, disse estar preparado para convocar uma sessão já na segunda-feira, para definir uma eleição especial para preencher a cadeira, segundo o Journal.   Obama e Blagojevich nunca foram especialmente próximos e operam amplamente em diferentes frentes do Partido Democrata. Apesar disso, o episódio rouba a cena a apenas seis semanas da posse, no momento em que o presidente eleito monta o seu gabinete e lida com a crise econômica. Em breves declarações à imprensa, o presidente eleito disse na terça-feira estar "entristecido e atônito" com o fato do governador ter desejado lucrar com a indicação à sua vaga no Senado e assegurou que não tevecontato com Blagojevich nem com seu Escritório sobre a questão do assento.   Os republicanos não pouparam críticas. "A natureza grave dos crimes listados pelos procuradores elevam questões sobre a interação do governador Blagojevich com o presidente eleito e outros altos oficiais que trabalharão com o futuro presidente", afirmou o deputado republicano da Virgínia Eric Cantor. O diretor do Comitê Nacional Republicano, Robert Mike Duncan, apontou que "os comentários de Obama sobre o problema são insuficientes."   Intervenção de Obama   Um telefonema que Obama fez há três meses para seu mentor político, Emil Jones, líder do Senado de Illinois, acelerou a passagem de uma lei ética que indiretamente ajudou a trazer à tona o escândalo envolvendo Blagojevich, informa nesta quarta-feira, o jornal The New York Times em sua edição online.   Segundo o jornal americano, Jones era um dos crítico da lei, assim como Blagojevich, que a vetou. Mas após os contatos de Obama, o Senado derrubou o veto e a legislação passou a ter efeito a partir de 1.º de janeiro. Agentes federais realizaram escutas e ouviram o governador buscando benefícios pela indicação do sucessor do presidente eleito em sua cadeira vacante no Senado.   Uma transcrição de 76 páginas do FBI, a polícia federam americana, afirma que o governador democrata foi pego em flagrante pelas gravações. "Eu quero fazer dinheiro", disse ele em um dos trechos da transcrição, que destaca uma conversa mantida em 10 de novembro entre Blagojevich, sua esposa Patti, John Harris, e um grupo de conselheiros.   Quando Obama interveio na lei ética, seu relacionamento com Blagojevich, sempre definido mais pela proximidade política do que por química pessoal, melhorava, de acordo com o New York Times. No entanto, não há nenhuma indicação de que o presidente eleito sabia dos planos de venda de sua cadeira pelo governador. No site de leilões eBay, o escândalo virou brincadeira e o assento de Obama foi posto em leilão a partir de US$ 0,01.   O Estado de Illinois tem um longo histórico de nepotismo, corrupção e crime organizado. Em Chicago, a maior cidade de Illinois, a tradição remonta à década de 1920, com o chefão da máfia Al Capone.   (Matéria atualizada às 15h40)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.