Obama pode anunciar secretário do Tesouro na 5ª, diz agência

Nome será responsável pelo pacote de US$ 700 bilhões e deve integrar equipe de transição do novo governo

Agências internacionais,

06 de novembro de 2008 | 08h01

O presidente americano eleito, Barack Obama, que herdará a pior crise financeira em décadas quando assumir o cargo, deve escolher alguns dos principais nomes para os postos nas pastas econômicas do governo e deve ainda revelar quem será o seu secretário do Tesouro ainda nesta quinta-feira, 6, segundo afirma a agência de notícias Reuters. Obama só toma posse em 20 de janeiro, mas provavelmente vai querer, num momento de grave crise financeira e possível recessão, ter uma equipe econômica preparada desde o início da transição. Timothy Geithner, Presidente do Federal Reserve (Banco Central) em Nova York, o ex-secretário do Tesouro no governo de Bill Clinton Lawrence Summers e Paul Volcker, ex-presidente do FED (Banco Central americano), são alguns dos nomes cotados para o posto.     Veja também: Família Obama se adapta à nova vida Especial: Festa por mudança  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 1)  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 2)  Veja o perfil do novo presidente Trajetória de Obama  Guterman: Obama é o resgate do 'espírito americano'  Blog: Brasileiros nos EUA Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Veja a apuração das eleições Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Depois da vitória na eleição de terça-feira, em que se tornou o primeiro negro a assumir a Casa Branca, Obama já fez a primeira indicação para formar sua equipe. O democrata convidou Rahm Emanuel, antigo conselheiro do presidente Bill Clinton, para ser seu chefe de Gabinete. Segundo a BBC, Emanuel é um congressista de Illinois que já foi muito criticado pelos republicanos por suas atitudes partidárias na Câmara dos Representantes. Se aceitar o cargo, Emanuel será o responsável pela administração interna do futuro governo.   Obama já escolheu a equipe responsável pela transição do governo Bush e que já está trabalhando para escolher rapidamente os times de administração econômica e da defesa do país, segundo fontes do Partido Democrata. O responsável pela transição no campo de Obama é John D. Podesta, ex-chefe de Gabinete do governo Bill Clinton. Obama começa a receber os arquivos de alto sigilo da inteligência americana ainda nesta quinta.   O escritório de Obama mantém em segredo os processos da transição realizados nas próximas 11 semanas. Quem assumir o cargo de secretário do Tesouro enfrentará a missão de orientar o pacote econômico de socorro de US$ 700 bilhões aprovado pelo governo e a reforma regulatória para prevenir outra crise econômica como a atual. Para o delicado cargo, em meio à maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30, são cotados Timothy Geithner, Lawrence Summers e Paul Volcker.   Summers foi secretário do Tesouro no governo de Bill Clinton, período em que foi muito elogiado por Wall Street, e reitor da Universidade Harvard, onde se envolveu em diversas polêmicas. Summers tem sido conselheiro econômico de Obama, especialmente após a explosão da crise, em setembro. Ganhou experiência como bombeiro financeiro na década de 1990, quando enfrentou as crises do México, da Rússia e da Ásia.   Geithner é presidente do Federal Reserve (Banco Central) em Nova York. Argumenta que os bancos, cruciais para o sistema financeiro global, deveriam operar sob um marco regulatório unificado. Foi subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais no governo Clinton, quando trabalhou com os ex-secretários do tesouro Robert Rubin e Lawrence Summers. Paul Volcker é ex-presidente do FED (Banco Central americano), considerado um dos grandes nomes do mundo financeiro desde que conseguiu debelar uma inflação anual de dois dígitos nas décadas de 1970 e 80. Manifestou apoio a Obama desde janeiro e teve papel decisivo na redação do discurso, em março, no qual o então pré-candidato democrata defendeu uma reforma do sistema financeiro.   Outros nomes cotados são Laura Tyson, que foi presidente do Conselho de Consultores Econômicos e diretora do Conselho Econômico Nacional durante o governo Clinton. Atualmente, leciona na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e foi uma importante consultora econômica de Obama desde que ele despontou como candidato do partido Democrata, em junho; Jon Corzine, governador de Nova Jersey, ex-senador e ex-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs. Apoiou Hillary Clinton até se bandear para Obama, com quem compareceu a uma cúpula econômica em Chicago. Ajudou a articular o programa do candidato contra a especulação energética. Embora seja cotado, disse em entrevista na quarta-feira que não falou com Obama sobre o cargo.   Para o Departamento de Defesa, há uma expectativa de que Obama possa nomear um republicano, num gesto para atenuar a polarização entre os dois partidos nessa área. Entre os nomes citados estão o do atual secretário, Robert Gates, responsável pelo aumento do contingente no Iraque, e o do senador republicano Chuck Hagel, um veterano da guerra do Vietnã que é crítico da forma como o governo de George Bush conduziu a guerra. Hagel é cotado também para o cargo de secretário de Estado, assim como o senador democrata John Kerry, derrotado na eleição presidencial de 2004. Vários outros nomes são citados.   O processo de aprovação para esses cargos poderá se arrastar, uma vez que os novos detentores de algumas dessas pastas terão de passar por sabatinas de comitês senatoriais para depois serem aprovados pelo Senado. O novo secretário ou secretária de Estado, por exemplo, só pode tomar posse após ter sido aprovado pelo comitê de Relações Exteriores do Senado. Mas, como os democratas irão controlar todas as instâncias do governo, pois ampliaram as suas vantagens tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, o processo poderá ser mais acelerado.   A aprovação para alguns postos, como de assessor de Segurança Nacional, chefe de Gabinete da Casa Branca ou de porta-voz do governo, não precisa passar pelo Congresso. O novo legislativo tomará posse no próximo dia 3 de janeiro. Tanto o presidente eleito Barack Obama como seu vice, Joe Biden, terão de renunciar a seus cargos como senadores antes da data da posse presidencial. Com a renúncia dos dois, serão abertas novas vagas senatoriais que deverão ser preenchidas através de indicações dos respectivos governadores dos Estados de Obama e Biden, Illinois e Delaware.   (Com Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo, BBC Brasil, Associated Press e Reuters)

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