Obama reforça sua candidatura no segundo debate presidencial

Pesquisas indicam vitória do democrata; em desvantagem nas pesquisas, McCain não conseguiu nocautear rival

Agências internacionais,

08 de outubro de 2008 | 07h46

A um mês da eleição americana, o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, não conseguiu a vitória que precisava no segundo debate para aproximar-se de Barack Obama, que foi muito mais articulado ao responder as perguntas, com detalhes específicos de seus programas econômicos. A crise econômica e as medidas propostas pelos candidatos consumiram mais de uma hora dos 90 minutos do debate realizado na noite de terça-feira, 7. Segundo pesquisas da rede CBS e da CNN, o democrata levou a melhor pela segunda vez - a primeira afirma que o democrata venceu para 39% dos eleitores; a segunda aponta vitória para 54%. Segundo a mesma sondagem da CNN, a maioria dos entrevistados afirmou que Obama é o candidato mais indicado para lidar com a crise.   McCain não conseguiu intimidar o senador adversário e nem de induzi-lo a um tropeço. A grande maioria das perguntas do público - que conduziu o tema do debate - foi sobre segurança social, cobertura médica e o recente plano de resgate financeiro aprovado pelo Congresso de US$ 700 bilhões. O senador democrata por Illinois citou que os EUA vivem a pior crise desde a Grande Depressão. "Este é o veredicto final da política falida dos últimos oito anos (da administração) Bush, apoiada por McCain", disparou. Obama reiterou a avaliação de que é preciso evitar que o dinheiro do pacote de resgate, aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente, caia nas mãos dos executivos de Wall Street e garantir que o contribuinte tenha seus recursos de volta.   Veja também: Obama e McCain são cobrados sobre crise no 2º debate Pesquisas apontam Obama como vencedor do debate Como foi o debate no blog   Galeria de fotos do debate  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   O segundo debate entre os dois candidatos refletiu em parte a tensão que vem marcando os últimos dias da corrida eleitoral americana, ainda que não tenha nem de perto resvalado no mar de lama que vem marcando a atual fase da disputa. Os dois candidatos constantemente ultrapassaram o tempo que lhes era destinado para responder às perguntas dos participantes porque aproveitavam para trocar farpas sobre seus históricos no Senado e as políticas que defendem. O republicano acusou Obama de ser o "segundo maior recebedor de recursos da Fannie Mae e da Freddie Mac na história", e Obama reagiu dizendo que nunca promoveu a Fannie Mae. "Na verdade, o presidente da campanha do McCain foi um lobista em favor da Fannie Mae", devolveu.   À pergunta sobre se a economia iria piorar antes de começar a melhorar, Obama foi categórico ao dizer que "não". "Estou confiante sobre a economia dos EUA, mas temos de ter liderança em Washington", afirmou. "Temos um sistema regulatório do século XX para um mercado do século XXI". A resposta de McCain para a questão foi "depende". "Depende do que fizermos", avaliou.   O republicano, reconhecendo que o "problema se tornou severo" propôs que o Tesouro compre os financiamentos problemáticos de hipotecas para evitar que os preços das moradias caiam mais. "Eu, como presidente dos EUA, iria determinar ao secretário do Tesouro a compra imediata dos financiamentos ruins de hipotecas e renegociá-los". Com o declínio dos preços das moradias, acrescentou McCain, as pessoas não estão conseguindo pagar as hipotecas. "Esta é minha proposta. Não é de Obama, não é do presidente Bush", acrescentou.   Questionados sobre quem indicariam para o Tesouro dos EUA, uma vez estando na Casa Branca, McCain respondeu que gostaria de indicar Meg Whitman, ex-presidente e CEO da eBay. Obama respondeu citando que uma opção "boa" seria o megainvestidor Warren Buffet, mas acrescentou que há outras pessoas habilitadas. A chave para ser secretário do Tesouro, criticou Obama, é entender que não é suficiente ajudar pessoas no topo da pirâmide.   Quesito simpatia   No debate passado, McCain recebeu críticas por ter raramente olhado para seu oponente. No embate desta terça, em ao menos uma ocasião, ele também pareceu deixar aflorar o seu desapreço pelo rival, em uma passagem que foi destacada pelas emissoras de TVs americanas.   No quesito simpatia, McCain também perdeu alguns pontos, ao se retirar rapidamente do auditório que abrigou a discussão, após ter cumprimentado alguns participantes. Obama, por sua vez, reproduziu o Bill Clinton do início de carreira, permanecendo no local, juntamente com sua mulher, Michelle, por ao menos cinco minutos após o encerramento do evento, apertando mãos, trocando comentários, distribuindo sorrisos e assinando autógrafos.   Política internacional   O confronto entre os presidenciáveis chegou ao ápice durante a parte dedicada ao tema política externa. O temido rearmamento nuclear do Irã, a situação do Afeganistão, o Iraque e o papel do Paquistão como aliado centraram as perguntas. McCain tentou mostrar Obama como um político sem experiência, inclusive ingênuo, cujas decisões colocariam em perigo a segurança social. A reação do democrata foi, em alguns momentos, irônica. "É verdade que existem algumas coisas que eu não entendo. Por exemplo, não entendo porque invadimos um país (Iraque) que não tem nada a ver com o 11 de setembro". O republicano, como no primeiro debate, destacou sua experiência e patriotismo. "A segurança de seus filhos no campo de batalha é minha primeira responsabilidade".   Obama acusou McCain de fazer "julgamento errado", avaliando que a guerra no Iraque seria fácil. "A política de Bush não funcionou para a América", emendou. Na seqüência, ao abordar questões ligadas ao Paquistão o democrata acrescentou: "Se tivermos Osama bin Laden sob nossas vistas e o governo do Paquistão for incapaz ou não tiver o desejo de retirá-lo, então, acredito que teremos de agir, afirmou. "Vamos matar Bin Laden, vamos esmagar a Al-Qaeda, e esta tem de ser nossa maior prioridade de segurança," acrescentou.   A reação de McCain foi citar Theodore Roosevelt. "Fale gentilmente, mas carregue um grande porrete", afirmou, resgatando a frase do 26º presidente dos EUA. "Obama gosta de falar alto e anuncia que vai atacar o Paquistão. Com isto, a opinião pública se volta contra nós", retrucou. A resposta, continuou o republicano, seria não fazer ameaças, mas agir em conjunto para conquistar a opinião pública. Foi neste ponto da queda-de-braço que o democrata reagiu forçando uma tréplica, fora das regras do debate que foram desenhadas em acordo com as duas equipes de campanhas. Para equalizar os tempos de respostas dos candidatos, o moderador concedeu direito de resposta também para McCain. Obama contra-atacou dizendo que "este é um cara que cantou 'bombardeie, bombardeie o Irã' e que defendeu a aniquilação da Coréia do Norte. Eu não acho que isso seja um exemplo de se falar suavemente".   (Com Nalu Fernandes, da Agência Estado e BBC Brasil)

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