Obama rejeita críticas de que estaria se voltando para o centro

Críticos dizem que candidato democrata está deixando sua base liberal e mudando em direção ao centro

The New York Times,

08 de julho de 2008 | 17h07

O senador Barack Obama já ouviu muitas reclamações de que estaria dando voltas, saltos e até se movendo em direção ao centro político. Discursando para uma multidão em um subúrbio de Atlanta, ele disse que, em seu coração, é um homem muito progressista que tenta conciliar uma visão com um mundo complicado.  Veja também:Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  "Deixe-me falar sobre a ampla questão, esst idéia de que eu estou mudando para o centro", disse Obama. "As pessoas que dizem isso aparentemente não estão me ouvindo". "E devo dizer que alguns desses são meus amigos na esquerda" e aqueles da mídia, acrescentou. "Eu sou alguém que, sem dúvida, é progressista", afirmou o candidato democrata à Presidência americana, adicionando que acredita em um programa de saúde universal e que o governo tem um forte papel na fiscalização das instituições financeiras e na eliminação dos abusos nas falências. O senador Obama enfrentou uma onda de críticas de seus seguidores nas últimas semanas por estar mudando em direção ao centro e deixando sua base liberal. Os críticos notam que recentemente ele aplaudiu a Suprema Corte americana apoiando a lei de escutas - que uma vez prometeu se opor - e falou em favor da pena de morte para estupradores de crianças. Ele ainda defendeu um papel para as organizações religiosas no governo, cujos críticos temem que possam esbarrar na linha entre a igreja e o Estado. Quando um republicano que disse que votaria em Obama perguntou ao candidato sobre suas visões políticas para o Iraque, ele aproveitou a ocasião para mostrar de forma mais ampla sua filosofia política. "Eu acredito em várias coisas que me fazem progressista e me colocam diretamente no campo Democrata", disse. Mas ressaltou que não acredita que uma mão ativa do governo possa substituir a responsabilidade dos pais na educação. "Eu acredito na responsabilidade pessoal, e também acredito na fé", declarou Obama. "Isso não é algo novo; tenho pensado por anos. Então, a idéia de que isso está me fazendo tentar olhar para o centro não é verdade." De fato, Obama escreveu e falou a favor de um papel para as instituições religiosas na provisão dos serviços sociais e seu livro A Audácia da Esperança parece endossar a pena de morte para estupradores de crianças.  Para o controle de armas, Obama disse que há muito tempo acredita que a Segunda Emenda (da Constituição americana) assegura o direito individual de porte de armas. "Isso não significa que eu não ache que devemos ter um controle decente" das armas, completou. "Essas duas posições não são contraditórias." "Uma das coisas que você descobre enquanto avança nesta campanha é que todos se tornam muito cínicos em suas políticas", disse Obama. Há a "suposição de que você está fazendo tudo por razões políticas". Para o senador, os eleitores tem que entender que raramente estarão completamente de acordo com ele.  Neste ponto, ele volta à questão do Iraque, um assunto em que balançou muito pouco desde que assumiu sua posição há meses. Ele defendia uma retirada das tropas americanas em 16 meses. A campanha de seu rival John McCain trabalhou duro para sugerir que ele seria inconsistente nesta questão. "Temos que ser cuidadosos para sair como fomos cuidados para entrar", disse Obama. "Temos que ter certeza de que nossos soldados estão em segurança, e estar certos de que do país não entrará em colapso." "Quando eu ouço John McCain dizendo que nós não podemos nos render, que não podemos acenar a bandeira branca", continua Obama, "ninguém está falando em se render". Mas, ele acrescenta, sob forte aplauso, "não se confunda: eu irei terminar a guerra do Iraque quando eu for presidente dos Estados Unidos da América."

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