Obama representa o reconhecimento da democracia, diz Lula

Presidente espera que ele mantenha 'relação mais forte com América Latina, América do Sul, Brasil e África'

João Domingos e Leonencio Nossa, do Estado de S. Paulo,

05 de novembro de 2008 | 10h59

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 5, em entrevista, que a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos "representa, sobretudo, um reconhecimento da democracia". Acrescentou: "Quem duvidava de que um negro poderia ser eleito presidente dos EUA agora sabe que pode. "Pode, porque isso acontece num regime democrático, que é onde a sociedade se manifesta. Acho que é um feito extraordinário a eleição do primeiro negro na história dos Estados Unidos."   Veja também: Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 1)  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 2)  McCain reconhece derrota e promete trabalhar com Obama Três fatores decidiram eleição nos EUA Veja o perfil do novo presidente Disputa foi a mais cara de todas Campanha de Obama fez história Democratas mantêm maioria no Senado Imagens do dia de votação nos EUA  Trajetória de Obama  TV Estadão: jornalistas analisam a disputa Guterman: Obama é o resgate do 'espírito americano'  Veja a cobertura online  Blog: Brasileiros nos EUA Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Veja a apuração das eleições Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA Lula disse que a vitória de Obama representa um reconhecimento da democracia "sobretudo, porque é uma pessoa que tem demonstrado competência política." O presidente disse esperar que ele mantenha uma "relação mais forte com América Latina, América do Sul, Brasil e África" e possa, ter a possibilidade, "finalmente, de fazer um acordo de paz no Oriente Médio, porque já faz décadas e décadas que se tenta e não se consegue."   "Não tenho dúvida nenhuma", continuou o presidente, "de que, da parte do Brasil, vamos continuar aumentando a parceria que temos com os EUA. Espero que, com o governo Obama, possamos continuar negociando. Espero que ele tenha uma política mais voltada para o desenvolvimento produtivo na América Latina. É preciso que os EUA continuem uma política mais ativa em relação à América Latina. Durante toda a década de 1960/70, você tinha a Guerra Fria. Portanto, os EUA tinham uma visão contra a guerrilha na América Latina. Agora, a democracia se consolidou no (sub)continente. Espero que continue aqui um programa de desenvolvimento e investimento nos países mais pobres e o fim dos subsídios. Espero que o bloqueio a Cuba acabe, porque não há nenhuma explicação na História da Humanidade para a continuidade do bloqueio a Cuba."   Ao concluir a entrevista, Lula mostrou-se cauteloso: "De qualquer forma, há uma diferença muito grande entre ganhar uma eleição e governar um país como os Estados Unidos. Então, vamos esperar ele tomar posse para ver o que vai acontecer", disse.   O presidente conversou com jornalistas após solenidade em que plantou uma muda de aroeira no Bosque da Constituinte, criado em outubro de 1988, perto da Praça dos Três Poderes, em homenagem ao Congresso Constituinte. O ato de hoje marcou o início de um processo de ampliação do local, que será transformado num parque multi-uso, com pistas de caminhada e de ciclismo.   Compareceram os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, do Senado, senador Garibaldi Alves, e da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, além do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Cada um deles plantou uma muda de uma árvore chamada xixá.   O governo do Distrito Federal, com apoio do governo federal, transformará o bosque em uma área de 70 mil metros quadrados (70 hectares). Na época da criação do bosque, foram plantadas 600 árvores, mas o local foi sendo aos poucos abandonado, e muitas morreram.

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