Obama traz especialista em política externa para sua chapa

Joe Biden fortalece credenciais do democrata em assuntos externos; republicanos partem para o ataque

The New York Times,

23 de agosto de 2008 | 19h11

O candidato democrata à Presidência americana, Barack Obama, escolheu no sábado, 23, o senador Joseph R. Biden Jr. para ser seu colega de chapa. A escolha fortalece as credenciais do democrata em política externa na eleição geral contra o rival republicano John McCain.   Veja também:  Ao lado de Obama, Biden ataca Bush Perfil de Joe Biden Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    O político indicado por Obama foi seis vezes senador e é conhecido por sua experiência em assuntos do exterior. Biden passou a última semana na Geórgia, enquanto a nação acompanhava a tensão com Rússia. Obama descartou outros candidatos, incluindo o senador Evan Bayh de Indiana, o governador Tim Kaine de Virgínia e a senadora Hillary Clinton, sua principal adversária nas primárias da legenda.   Em um discurso em Springfield, Illinois, neste sábado, Obama apresentou Biden com uma descrição passional, diante de uma grande multidão. "Joe Biden é uma rara mistura - por décadas ele trouxe a mudança para Washington, mas Washington não o mudou", disse o candidato democrata. "Ele é um especialista em política externa, cujo coração e valores têm raízes firmes na classe média. Ele esteve diante de ditadores e falou com nossas tropas. Ele está singularmente apto para ser meu parceiro e trabalhar comigo para colocar nosso país de volta aos trilhos", declarou.   A escolha de Biden é talvez a mais importante decisão que Obama tomou até então como candidato democrata. A decisão aponta a preocupação dos conselheiros do senador de que sua viagem à Europa e Oriente Médio talvez não tenha sido o bastante para vencer a persistente dúvida dos eleitores em relação a sua experiência, especialmente na segurança nacional.   Ele anunciou sua escolha em um período no qual a disputa com o candidato republicano John McCain encontra mais dificuldades do que os democratas esperavam, e quando o conflito entre Rússia e Geórgia deu aos republicanos a oportunidade de injetar o aspecto da experiência em política externa em uma eleição focada na economia.   Mas em seu pronunciamento, Biden rapidamente demonstrou que também pode lutar duro. Ele fez um vigoroso ataque a McCain, depois de destacar que ele tem sido seu amigo por 35 anos. "Nos últimos 18 meses, eu vi Barack encontrar aqueles desafiantes com inteligência e discernimento. Eu vi como ele inspirou milhões de americanos para uma nova causa. E durante esses 18 meses, eu devo dizer que estive desapontado com meu amigo John McCain, que entrou nas políticas de seu partido que uma vez ele criticou."   Biden preside o Comitê de Relações Externas do Senado e está familiarizado com chanceleres e diplomatas. Apesar dele inicialmente ter votado a favor da guerra do Iraque - enquanto Obama se opôs ao conflito desde o princípio -, o vice democrata se tornou um crítico ferrenho das políticas do presidente George W. Bush para o país.    Obama anunciou sua escolha em mensagens de texto para celulares e e-mails que começaram a ser enviados de Chigaco às 3 horas, no horário local, horas depois da notícia da decisão ter aparecido na imprensa.   Assim que o anúncio foi feito, os republicanos já estavam prontos para o ataque. A campanha de McCain produziu uma propaganda televisiva, transmitida com freqüência, que mostravam críticas que Biden fez contra Obama durante a campanha. "Eu acho que ele pode ficar pronto, mas nesse momento, ainda não está", declarou o vice democrata em agosto de 2007. O comercial também inclui elogios a McCain. "Eu ficaria honrado em concorrer contra ou com John McCain", afirmou Biden em 2005.   Dessa forma, os republicanos deixam claro que se manterão atento a Biden, tentando explorar movimentos como esses. Apesar do vice de Obama não ser exatamente um nome familiar entre os democratas, ele provavelmente está entre os políticos mais conhecidos que estarão na convenção da legenda.  

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