Obama visita Anbar, antigo reduto de militantes no Iraque

Democrata se encontra com líderes tribais que integram a aliança para expulsar membros da Al-Qaeda da região

Reuters,

22 de julho de 2008 | 07h59

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, viajou à província iraquiana de Anbar nesta terça-feira, 22, para se reunir com líderes tribais sunitas, cuja decisão de combater a Al-Qaeda ajudou a mudar os rumos do conflito no país. Autoridades iraquianas disseram que Obama se reuniu com líderes tribais, entre eles Ahmed Abu Risha, chefe do Conselho Despertar, uma aliança de tribos árabes sunitas, e com o governador da província, Maamoun Sami Rashid al-Alwani. Uma autoridade americana informou que Obama estava em Anbar, mas não deu detalhes.   Veja também: McCain quer aliança com Brasil Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A estratégia dos Estados Unidos no Iraque e o atual nível de tropas é questão central na disputa eleitoral entre Obama, senador em primeiro mandato por Illinois, e o republicano John McCain. Obama, que visita o Iraque como parte de uma delegação parlamentar dos EUA, se reuniu com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e com comandantes militares americanos na segunda-feira, em uma viagem até agora dominada pela pergunta: quando as tropas dos EUA deixarão o Iraque?   Jamal al-Mashhadani, porta-voz do governo de Anbar, disse que Obama reuniu-se com Abu Risha assim como com o governador da província e outros líderes tribais na capital provincial Ramadi. Ele não deu mais detalhes. Anbar, uma vasta região deserta a oeste de Bagdá, já foi o coração da insurgência árabe sunita contra as forças dos Estados Unidos e o governo xiita do Iraque.   No final de 2006, líderes tribais cansados dos assassinatos indiscriminados praticados pela Al-Qaeda, se juntaram às forças dos EUA e praticamente expulsaram o grupo militante. Esse modelo de cooperação provocou uma forte queda na violência, o que ampliou sua utilização a Bagdá e a outras regiões do país.   Por razões de segurança, o candidato democrata, que se reuniu domingo em Cabul com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, não marcou nenhuma coletiva para ser concedida no Iraque. Nesta terça, Obama estará na Jordânia, onde deve comentar o assunto pela primeira vez.   Consenso sobre retirada   Nem a campanha de Obama nem o governo iraquiano divulgaram detalhes do encontro com o premiê na segunda-feira, que foi cercado de sigilo por razões de segurança, mas o porta-voz de Maliki, Ali al-Dabbagh, sugeriu que a opinião dos dois "não é tão diferente" quanto ao cronograma de retirada de soldados americanos do Iraque.   Dabbagh disse que o objetivo de Bagdá é dar condições para que os soldados estrangeiros deixem o país em 2010. "Não podemos dar ainda nenhum cronograma, mas o governo iraquiano acredita que a data apropriada para a retirada seja o final de 2010", disse. O prazo do governo iraquiano é parecido com o de Obama, que defende a retirada em 16 meses contados a partir da posse do novo presidente americano, em janeiro - oito meses mais cedo do que estipulou o porta-voz de Maliki.   O cronograma de retirada tem uma importância vital nas eleições americanas. O candidato republicano, John McCain, chama a estratégia de retirada em 16 meses do democrata de "derrotista" e diz que o envio de mais soldados diminuiu a violência no Iraque - essencialmente, a mesma posição do presidente dos EUA, George W. Bush.   O maior problema de McCain é que, nos últimos dias, o próprio governo iraquiano tem dado sinais de que prefere a estratégia do democrata. "Obama fala em uma retirada em 16 meses. Achamos esse prazo razoável, com a possibilidade de alguns ajustes", disse Maliki.   (Com agências internacionais)

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