Oposição aproveita 'venda' de cargo para tentar atingir Obama

Governador de Illinois é acusado de tentar benefícios na escolha do sucessor do presidente eleito no Senado

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 09h13

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, nem assumiu o cargo e já é alvo de um escândalo que ameaça o perseguir. Ele não é acusado de nada, mas o fato de o governador de Illinois, Rod Blagojevich, ser preso sob acusação de tentar obter benefícios pessoais em troca da nomeação do substituto de Obama no Senado, deu aos seus adversários políticos uma abertura para tentar ligá-lo ao incidente.   Veja também: O gabinete do presidente eleito   A promotoria pública acusou ainda o governador de fraude, conspiração, suborno e de ameaçar o jornal Chicago Tribune. Obama, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, renunciou a sua vaga no Senado por Illinois pouco depois de ser eleito. De acordo com a legislação americana, o governador é responsável pela escolha do substituto. No entanto, antes das eleições gerais de novembro um juiz federal havia autorizado a instalação de escutas para obter conversas de Blagojevich, que já vinha sendo investigado pelo FBI (polícia federal americana). "Eu quero é ganhar dinheiro", disse ele em uma das gravações feitas na véspera da eleição de Obama. "Essa cadeira no Senado vale muito. Não é o tipo da coisa que se dê para alguém em troca de nada." Segundo o FBI, o governador estava sob investigação havia mais de um ano, mas ninguém esperava que ele pudesse ser pego em razão da venda do cargo de senador.   A investigação ainda está em andamento, mas o impacto que terá sobre Obama ainda é incerto. Ele fez o melhor que pôde para se distanciar do espetacular drama público, afirmando que "não tem contato com o governador ou seu gabinete, e que não acompanhava o que estava acontecendo", referindo-se à escolha de seu sucessor. Em Chicago, o procurador-geral Patrick Fitzgerald afirmou que a Promotoria não há informações sobre a ligação de Obama com o caso. Além disso, em uma das gravações, o próprio governador sugeriu que não contava com a ajuda de Obama e que, mesmo que escolhesse alguém da equipe do presidente eleito, "ele não receberia nada além de um agradecimento".   Os republicanos não pouparam críticas. "A natureza grave dos crimes listados pelos procuradores elevam questões sobre a interação do governador Blagojevich com o presidente eleito e outros altos oficiais que trabalharão com o futuro presidente", afirmou o deputado republicano da Virgínia Eric Cantor. O diretor do Comitê Nacional Republicano, Robert Mike Duncan, apontou que "os comentários de Obama sobre o problema são insuficientes".   Obama e Blagojevich nunca foram especialmente próximos e operam amplamente em diferentes frentes do Partido Democrata. Apesar disso, o episódio rouba a cena a apenas seis semanas da posse, no momento em que o presidente eleito monta o seu gabinete e lida com a crise econômica.   O Partido Republicano de Illinois pediu a renúncia imediata do governador. Obama se disse triste com o caso e declarou que não conversou com Blagojevich sobre sua vaga no Senado. O líder do Senado estadual de Illinois, o democrata Emil Jones, disse que tentará aprovar uma lei que permita o preenchimento da vaga de Obama por uma eleição especial. Blagojevich foi solto no início da noite após pagar uma fiança de US$ 4,5 mil. Vestindo camiseta e tênis, ele compareceu a um tribunal de Chicago e teve de entregar seu passaporte e seu porte de armas.

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