Palin concentra atenção no debate de vice-presidentes nos EUA

Desempenho da republicana, pressionada até mesmo por partidários, será decisivo para candidatura de McCain

Agências internacionais,

02 de outubro de 2008 | 07h32

 A republicana Sarah Palin e o democrata Joe Biden compartilham na noite desta quinta-feira, 2, o cenário do debate vice-presidencial dos Estados Unidos, porém a atenção estará sobre a governadora do Alasca, que tem a missão de responder às dúvidas sobre se a escolhida por John McCain está preparada para o cargo. Para Sarah, particularmente, será uma prova de fogo. Pressionada pela imprensa e, nos últimos dias, por membros do próprio partido que pedem sua renúncia, ela pode derrubar de vez a candidatura de McCain caso tenha um desempenho ruim.   Veja também: Aumenta ceticismo de eleitor com Palin Pesquisa do NYT dá a Obama 9 pontos de vantagem Correspondente do 'Estado' fala do debate  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   O encontro entre os aspirantes às Vice-Presidência promete ser mais dramático do que de costume, principalmente pela expectativa em relação à Palin. O debate pode atrair uma audiência maior do que os 52 milhões de pessoas que acompanharam o primeiro evento entre os candidatos Barack Obama e John McCain. O interesse pelo encontro é tão grande que a Comissão para Debates Presidenciais informou ontem que distribuiu 3.100 credenciais para jornalistas do mundo inteiro, o maior número já emitido em todos os sete debates vice-presidenciais que a comissão já promoveu.   Toda a atenção do público vem do fato de Palin ter dominado o noticiário desde a convenção do partido, no início de setembro. A surpreendente decisão de McCain, em agosto, de escolher a governadora do Alasca como sua companheira de chapa serviu para atrair o respaldo dos republicanos conservadores e converteu a governadora, até então desconhecida em uma celebridade. Porém, sua falta de experiência nacional e atuação desastrosa nas entrevistas na TV, nas quais Palin demonstrou completo desconhecimento da política externa americana e da crise econômica que afeta os EUA, motivaram críticas até mesmo dentro do partido.   Palin espera que uma atuação sólida no debate elimine as dúvidas que existem sobre a capacidade de assumir o cargo de vice-presidente se for necessário, McCain, de 72 anos, será o presidente mais velho que o país já teve em primeiro mandato caso seja eleito. "Se ela não se sair bem, os republicanos terão um sério problema nas mãos", disse o analista democrata James Carville. "Ela mostrou que não está pronta para o cargo. Se isso ficar evidente no debate, a situação ficará insustentável", afirmou o estrategista republicano David Frum.   Preocupados, os assessores republicanos afastaram Sarah da campanha na segunda-feira e a enviaram para o rancho de McCain, no Arizona, para preparar-se com mais tranqüilidade para o debate. Ela está sendo orientada pelo principal estrategista da campanha, Steve Schmidt, e também pelos consultores Tucker Eskew, Nicolle Wallace e Mark Wallace, todos veteranos das campanhas presidenciais de George W. Bush.   Biden, de 65 anos, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, enfrenta sua própria série de desafios enquanto tenta controlar sua tendência a cometer gafes e falar demais. Conhecido nos EUA como "Máquina de Gafes", ele terá de ser cuidados ao questionar Palin, sem parecer condescendente ou agressivo. Biden preparou-se para o debate em casa, em Wilmington, Delaware, e também teve ajuda dos principais estrategistas de Obama: David Axelrod, Anita Dunn e Ron Klain, que ajudaram a preparar Al Gore para os debates em 2000.   O desafio primeiro é tentar ser menos prolixo. O formato do debate é rígido - permite respostas de 90 segundos - e a verborragia de Biden, adquirida em seus 35 anos de Senado, podem cansar o público. A segunda grande preocupação é o fato de ele debater com uma mulher. Durante as primárias democratas, das quais participou como candidato, Biden causou mal-estar ao levantar a voz para Hillary Clinton durante um debate. Se Biden jogar muito duro, pode ser visto como um homem mais velho querendo intimidar ou desrespeitar uma mulher. Para encontrar a melhor maneira de debater com uma mulher, Biden pediu conselhos à própria Hillary e à senadora Barbara Boxer, da Califórnia. Durante a preparação em Delaware, a campanha usou a governadora de Michigan, Jennifer Granholm, como "oponente".

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