Palin passa no teste em debate com Biden e alivia republicanos

Discussão não foi tão ruim como alguns temiam, mas também não traz novo fôlego à campanha de McCain

Agências internacionais,

03 de outubro de 2008 | 14h52

A candidata à vice-presidência republicana, Sarah Palin, passou pelo debate de quinta-feira sem deixar nenhum dano evidente à chapa de John McCain. No entanto, o fato dela ter sobrevivido ao encontro com o vice democrata, Joe Biden, que foi apontado o vencedor da discussão, não deverá ter grande impacto na corrida eleitoral, apontam analistas.   Veja também: Para indecisos, Biden venceu debate Veja a cobertura do debate no blog  Galeria de fotos  John McCain desiste de campanha no Michigan Pesquisa dá a Obama 9 pontos de vantagem Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Segundo o jornal The New York Times, a discussão não foi a noite ruim que muitos republicanos temiam, mas também não pode ser considerada o ponto de mudança que a campanha de McCain estava esperando diante da crescente liderança que o candidato democrata Barack Obama ganha na corrida à Casa Branca.   A maioria dos especialistas considerou que Biden saiu vencedor do debate graças a seu amplo conhecimento sobre os assuntos públicos, de economia a política externa, e a sua capacidade de improvisar e responder com desenvoltura os argumentos de Palin.   Ao mesmo tempo, a governadora do Alasca superou as baixas expectativas criadas em torno dela e pareceu recuperar a confiança com o estilo coloquial que no passado serviu para aproximá-la do eleitorado.   Após o debate, os republicanos não esconderam sua satisfação. "Os dois se saíram bem, mas a vencedora foi Sarah Palin. Transmitiu uma imagem de pessoa genuína, uma mãe trabalhadora que ocupou posições executivas", disse o senador republicano Kit Bond, do Estado do Missouri, onde aconteceu o debate.   Já para Bill Richardson, governador democrata do Estado do Novo México, admitiu que o estilo populista e próximo ao eleitor funcionou para Palin, mas a republicana "memorizou as coisas que tinha que dizer."   Vitórias de Palin   O New York Times aponta que Palin pode clamar duas modestas vitórias: ela não enfrentou Biden com as respostas inseguras como fez em entrevistas à televisão americana e sua atuação animou os conservadores - que experimentaram do êxtase ao desespero desde que ela foi nomeada colega de chapa de McCain. "A performance dela reanimou a base conservadora", afirmou Nelson Warfield, consultor republicano conservador. "Palin rompeu com as baixas expectativas da mídia."   McCain enfrentou dificuldades nas últimas semanas ao tentar fazer ataques efetivos a Obama. Um candidato à vice-presidência mais convencional poderia ter usado essa plataforma na quinta-feira e transformar a noite em um referendo ao democrata.   Ela certamente tentou, atacando Obama repetidamente sob suas posições em segurança nacional e impostos, propiciando uma refutação passional de Joe Biden. Mas os americanos que assistiram ao debate conseguiram sentir uma impressão sua - como McCain disse, a discussão seria sobre Palin, não sobre o candidato democrata.   No entanto, a atuação de Palin não chegou a ser tão espetacular a ponto de ganhar adeptos e mudar a dinâmica na qual a campanha entrou em sua reta final. "McCain está perdendo terreno e acho que o debate não significará uma mudança", avalia James McCann, professor de política da Universidade Purdue, em Indiana.   Próximos passos   Obama abre agora quase seis pontos de vantagem em relação a seu adversário nas intenções de voto a nível nacional e ultrapassou McCain em muitos estados considerados fundamentais para o resultado das eleições de 4 de novembro, segundo a página de internet RealClearPolitics, que faz compilações de enquetes.   O próximo debate entre Obama e McCain acontecerá na próxima terça-feira. Será o penúltimo confronto dos candidatos antes das eleições de 4 de novembro.

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