Para analistas, Obama não é tão protecionista quanto se pensa

Visão de que John McCain seria melhor para os exportadores brasileiros é contestada por especialistas

Luiz Raatz e Talita Eredia, estadao.com.br

04 de novembro de 2008 | 07h09

Quando o assunto é negócio bilateral com os EUA, os democratas levam a fama de protecionistas enquanto os republicanos são conhecidos como defensores do livre comércio. Desta forma, a vitória do republicano John McCain sobre o democrata Barack Obama seria melhor para os exportadores brasileiros, certo? Errado.  Veja também:Estadao.com.br na terra dos ObamasDiário de bordo da viagem ao Quênia Confira os números das pesquisas nos EstadosObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Segundo analistas ouvidos pelo estadao.com.br, Obama não seria um presidente tão protecionista quanto se pensa. E em oito anos de governo republicano, o Brasil não conseguiu colocar nenhum produto competitivo no mercado interno americano devido aos subsídios agrícolas praticados no país.  Segundo o cientista político americano Michael Shifter, diretor do InterAmerican Dialogue, um centro de estudos das relações entre EUA e América Latina, é preciso o que se diz em campanha do que se faz após a eleição. "Obama não é tão protecionista assim. Ele pode surpreender muita gente se conseguir se eleger. No cenário atual ele precisa mostrar resistência a acordos comerciais".  Já para o ex-embaixador do Brasil nos EUA e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Rubens Barbosa, quem dá o tom da política comercial é o Congresso. "Os democratas vão dominar as duas casas - na Câmara e no Senado - e o ânimo do Congresso é protecionista, é restritivo", explica.  O professor de direito internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rabih Nasser aposta que o Brasil continuará com problemas de acesso ao mercado americano. "Nos temas que interessam para o Brasil vai continuar sendo difícil fazer um acordo com os Estados Unidos", diz. As exportações agrícolas brasileiras, como soja, suco de laranja e etanol, são mais competitivas no exterior, mas o preço dos mesmos produtos são mais baratos nos EUA devido aos incentivos fiscais e à taxação dos importados.  Durante a campanha, Obama mostrou resistência à ratificação de um acordo de livre comércio com a Colômbia e pediu a revisão de partes do Nafta - bloco comercial formado por EUA, Canadá e México. McCain, por sua vez, defendeu o fim das taxas ao etanol brasileiro como medida para estimular a independência energética dos EUA.

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