Para analistas, virada de McCain é difícil mas pode acontecer

Apesar do momento ser favorável a Obama, Estados indecisos e muito disputados podem votar no republicano

Gabriel Bueno da Costa, da Agência Estado,

04 de novembro de 2008 | 07h10

"Não subestimem a capacidade de os democratas perderem um jogo que parecia ganho." A advertência feita pelo próprio Barack Obama é levada a sério por analistas políticos, que apontam fatores capazes de impedir uma vitória aparentemente certa do democrata à Presidência. O candidato republicano John McCain, por outro lado, minimiza a importância das pesquisas que dão vantagem à Obama e confia em sua estratégia para vencer em Estados cruciais e surpreender na corrida pela Casa Branca. A disputa nessa eleição reside em grande parte nos swing states - Estados com situação indefinida, como Ohio, Flórida e Carolina do Norte. Além disso, é possível "virar" um Estado em que a maioria de um partido não é ampla. É o que McCain trabalha para fazer na Pensilvânia, ao marcar ali vários eventos na reta final. Segundo o site agregador de pesquisas Real Clear Politics, a vantagem de Obama na Pensilvânia passava de 7 pontos percentuais, uma semana antes da eleição.  Veja também:Estadao.com.br na terra dos ObamasDiário de bordo da viagem ao Quênia Confira os números das pesquisas nos EstadosObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA "Não acho que McCain possa vencer na Pensilvânia", afirmou em entrevista à Agência Estado por telefone o cientista político Richard Johnston, professor da Universidade da Pensilvânia. Já Charles Franklin, professor de Ciência Política da Universidade de Wisconsin, Madison, discorda. "No início pensava que era um erro McCain estar na Pensilvânia", disse. "Mas ele está tentando ganhar um Estado grande, em vez de três ou quatro menores." Uma vitória dos republicanos na Flórida parece mais plausível, na opinião de Johnston. A região concentra muitos imigrantes cubanos - historicamente próximos dos republicanos -, além de aposentados, também mais ligados à sigla de McCain. As pesquisas registram empate técnico nesse Estado. Em contrapartida, Johnston opina que os chamados neoconservadores, entre eles intelectuais de direita, rechaçaram fortemente Sarah Palin, governadora do Alasca indicada para vice na chapa republicana. Para o analista, ela se tornou um "constrangimento" para a campanha de McCain. Obama, por sua vez, pode enfrentar o chamado "efeito Bradley". Trata-se de uma referência a Tom Bradley, candidato favorito nas pesquisas para vencer a disputa pelo governo da Califórnia em 1982, derrotado pelo concorrente branco. Franklin, no entanto, aponta estudos que minimizam o "efeito Bradley". No mais amplo deles, não foi encontrada uma relação sistemática entre a cor da pele e a perda de votos após 1996, levando a crer que esse fator perdeu força. Nunca houve, porém, um candidato negro à Presidência com chances de ganhar, e não se sabe se para o cargo eletivo mais importante o fator raça possa ter algum efeito, oculto nas pesquisas. Alguns analistas apontam que um ataque terrorista, ou mesmo uma mensagem de um extremista, poderia transferir votos decisivos para McCain, já que o senador republicano é visto como mais experiente no campo da segurança. "Um ataque lembraria às pessoas a vulnerabilidade do país", afirma Johnston. "Mas também mostraria o fracasso da atual política." Franklin, que já previa um estreitamento da vantagem de Obama na reta final, afirma que, para chegar à Presidência, McCain necessita de algumas vitórias surpreendentes, na Pensilvânia e na Virgínia, por exemplo. Outra alternativa, segundo ele, é que o republicano lance propostas específicas para cativar eleitores em Estados como Ohio e Flórida. "Eu não digo que nunca, nem que não pode acontecer", avaliou Franklin, sobre uma possível virada de McCain. "Mas as evidências nesse momento indicam que não é provável."  De qualquer forma, não faltam precedentes para sustentar o alerta de Obama. Em 2000, o democrata Al Gore derrotou George W. Bush na votação popular, mas perdeu no Colégio Eleitoral após a Suprema Corte, dominada por magistrados conservadores, ter paralisado a recontagem dos votos na Flórida, em meio a denúncias de fraude em favor do republicano. O Estado era governado por Jeb Bush, irmão do presidente. Quatro anos mais tarde, diversas pesquisas sugeriam ligeiro favoritismo do democrata John Kerry sobre Bush, então candidato à reeleição, até menos de uma semana antes da votação. Dois dias antes do pleito, no entanto, surgiu uma mensagem em vídeo de Osama bin Laden endereçada aos eleitores americanos. E muitos analistas acreditam que o vídeo de Bin Laden pode ter sido determinante para a reeleição de Bush.

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