Para especialistas, mídia pode ser cabo eleitoral para Obama

Para analistas dos EUA, cobertura favorável da campanha e apoio em editoriais podem trazer votos para senador

Luiz Raatz, estadao.com.br

31 de outubro de 2008 | 16h11

O democrata Barack Obama está na frente nas pesquisas sobre o republicano John McCain. Nos Estados cruciais para a decisão no colégio eleitoral, como Ohio, Virginia, Colorado e Carolina do Norte, o senador de Illinois também lidera. Sua arrecadação de campanha é quase o dobro da do oponente. Outra disputa que o democrata leva vantagem é no papel de preferido da mídia.  Para analistas americanos, a cobertura favorável e apoio de jornais em editoriais podem se traduzir em votos para o democrata.   Veja também: Uma piscada que pode custar caro para Obama Seria 'extraordinário' se EUA elegessem um negro, diz Lula 'Economist' declara apoio a Obama Obama amplia vantagem e tem 11 pontos sobre McCain Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Segundo o levantamento diário do Editor and Publisher, um jornal que cobre a indústria de publicações nos Estados Unidos, Obama tem apoio de 234 periódicos. Outros 105 publicaram seu apoio à candidatura de McCain. Em porcentagem, é uma vantagem de 75%.  Outra pesquisa, do Pew Research Center, publicada no último dia 22, indica que 57% das notícias publicadas sobre a campanha de McCain na TV e na imprensa escrita têm caráter negativo, contra 29% do lado democrata.   O cientista político Brian Knight, da Universidade de Brown, de Rhode Island, estudioso das relações entre a mídia e as eleições presidenciais nos EUA, diz que a cobertura sobre Obama é menos negativa porque, por liderar as pesquisas, o democrata corre menos riscos. "É um padrão. A pessoa que está atrás tem de se arriscar mais. Mas a estratégia pode dar errado e os eleitores concluírem que o candidato é ruim porque conduz uma campanha negativa."   Ainda de acordo com Knight, o apoio de jornais a um determinado candidato influencia o eleitor na hora do voto. "Nas últimas duas eleições, os apoios estavam divididos. Desta vez, cerca de dois terços favorecem Obama. Estes jornais acreditam que ele é um melhor candidato", diz. Knight ressalta, no entanto, que a maioria dos leitores costuma votar nos democratas.   Três dos quatro maiores jornais dos EUA declararam apoio a Obama. São eles o The New York Times, o Washington Post e o Los Angeles Times, mas todos endossaram o derrotado democrata John Kerry em 2004. Além deles, as revistas Economist e New Yorker também escreveram editoriais pró-Obama. A surpresa veio de diários tradicionalmente republicanos e de estados conservadores, como Chicago Tribune, de Illinois, o Houston Chronicle, do Texas, e o Denver Post, do Colorado, que declararam voto no democrata. No total, 47 jornais que apoiaram Bush em 2004 estão hoje com Obama.   McCain, por sua vez, tem o apoio do New York Post, tablóide conservador do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Outro jornal de grande tiragem que endossou o republicano é o Arizona Republic, de seu Estado natal. Apenas cinco jornais que apoiaram Kerry em 2004 estão com McCain.   Outro analista, James Snyder, do Massachussets Institute of Technology (MIT), ressalta que estes novos apoios podem desempenhar um papel importante. "O Chicago Tribune, desde sempre, tem apoiado republicanos. Muitos dos jornais que estão com Obama, inclusive, apóiam republicanos para outros cargos", explica.   Já professor Knight acredita que, embora os eleitores mais conservadores destes jornais não se deixarão influenciar por estes endossos, alguns mais moderados podem mudar de voto. ‘No caso do Alasca, que é um Estado bastante republicano, isto pode acontecer com os leitores do Anchorage Daily News.’   O professor do MIT  ressalta que, caso Obama vença as eleições, a ‘lua de mel’ com a imprensa tem data para acabar. "Talvez lhe dêem o benefício da dúvida. Mas depois dos 100 primeiros dias, não lhe darão refresco se a crise econômica continuar grave’.  

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