Para líder negro, postura de Bill Clinton nas prévias é 'bizarra'

Congressista democrata afirma que declarações do ex-presidente romperam com o eleitorado afro-americano

Mark Leibovich, The New York Times

25 de abril de 2008 | 09h33

Um dos políticos afro-americanos mais influentes do país criticou severamente o ex-presidente Bill Clinton na quinta-feira, 25, pelo que ele chamou de conduta "bizarra" durante a campanha para as primárias democratas. O congressista negro James E. Clyburn, um dos superdelegados que ainda não endossou nenhum pré-candidato e terceiro na hierarquia do partido no Congresso, afirmou que "a população negra está irritada com tudo isso", referindo-se às declarações de Hillary Clinton durante a agressiva disputa entre a ex-primeira-dama e o senador Barack Obama.  Veja também:Questão racial acirra disputa democrata  Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Líderes negros criticaram amplamente Clinton depois que ele igualou uma eventual vitória de Obama na prévia do Estado da Carolina do Sul, que conta com grande número de eleitores negros, com a primária que o referendo Jesse Jackson venceu em 1988. O paralelo condicionava a vitória ao fato de o senador ser também um afro-americano, diminuindo o sucesso da campanha de Obama. Em uma entrevista de rádio na Filadélfia na segunda-feira, Clinton se defendeu das acusações e afirmou que a campanha de Obama estava "jogando a questão racial" sobre ele ao ressaltar sua afirmação. Ao The New York Times, o congressista afirmou que Clinton o modo como conduz a campanha da mulher pode ter causado o que ele chamou de uma ruptura irreparável entre o ex-presidente e o eleitorado negro que um dia o reverenciou. "Quando aconteceram os problemas com o pedido de impeachment, foi a comunidade negra que o defendeu", disse Clyburn. "Acredito que o povo negro sentiu fortemente que este foi um caminho estranho adotado por Clinton para mostrar sua apreciação".Clyburn afirmou ainda que parece quase como uma visão unânime entre afro-americanos de que o casal Clinton está comprometido em fazer todo o possível para danificar a imagem de Obama em um ponto que ele jamais ganhe as eleições gerais. As duas campanhas democratas cortejaram o apoio de Clyburn antes das prévias na Carolina do Sul, Estado que ele representa. O congressista permaneceu neutro e assim continua e se comprometeu em não dizer ou fazer nada que pudesse influenciar a disputa. Ele afirmou que seguirá como superdelegado indefinido e não tem planos de endossar nenhum candidato. Antes das primárias na Carolina do Sul, Clyburn pediu que Clinton esfriasse os ânimos. Questionado pelo NYT se o ex-presidente seguiu o seu conselho, Clyburn afirmou: "sim, por três ou quatro semanas. Ou talvez três ou quatro dias". As declarações do democrata foram feitas a menos de duas semanas da próxima disputa entre Hillary e Obama, em 6 de maio, nas primárias da Carolina do Norte, onde a campanha do senador espera que o grande eleitorado negro lhe garanta uma grande vitória.

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