Para Obama, Irã é 'ameaça'; McCain defende escudo antimíssil

Democrata defende sanções; republicano diz que testes de mísseis justificam sistema de defesa na Europa

Agências internacionais,

09 de julho de 2008 | 10h42

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o  Irã representa uma ameaça e pediu pela aplicação de sanções mais severas após os testes dos novos mísseis apresentados por Teerã nesta quarta-feira, 9. O candidato republicano, John McCain, disse que o exercício de Teerã prova a necessidade do escudo antimísseis que Washington pretende instalar no Leste Europeu.   Veja também: Irã testa míssil que pode alcançar Israel  EUA dizem que Irã deve suspender testes Assista ao lançamento do míssil    A Guarda Revolucionária do Irã disparou nesta quarta-feira nove mísseis de médio e longo alcance durante um exercício militar contra o que denomina "a ameaça dos Estados Unidos e de Israel", informou a TV estatal do país. As armas podem alcançar alvos em até 2 mil quilômetros, distância suficiente para promover um ataque em território israelense.   Os virtuais candidatos, que se enfrentarão nas eleições de novembro, aproveitaram os testes iranianos para contrastar suas propostas para o Oriente Médio. Obama afirmou ao programa Early Show, da emissora CBS, que o Irã "deve ser objeto de sanções econômicas e de uma diplomacia direta, agressiva e que falta há vários anos". McCain disse que os testes iranianos são uma demonstração das "perigosas ambições" do Irã e provam a necessidade da construção de um sistema de "defesa antimísseis eficaz, agora e no futuro".   Obama criticou a postura do atual governo nas negociações com Teerã. "Parte do atual problema é que, fundamentalmente, é que deixamos a diplomacia nas mãos dos europeus", "devemos nos comprometer ativamente", afirmou o democrata à CNN. "Temos constatado que, durante os anos de Bush, as exportações americanas para o Irã aumentaram", e "esse é um erro" porque "envia mensagens contraditórias", assinalou.   McCain defende os trabalhos de mediação com a Europa. "Trabalhar com os nossos aliados europeus e regionais é o melhor caminho para enfrentar a ameaça imposta pelo Irã, não através de concessões unilaterais que prejudiquem a diplomacia multilateral", disse o republicano em comunicado.   O exercício foi realizado na região da foz do Estreito de Hormuz, região estratégica por onde passa algo como 40% do petróleo mundial. Israel, os EUA e outros países ocidentais acusam Teerã de possuir um programa nuclear secreto com o objetivo de produzir armas. O governo iraniano nega tal intenção e assegura que deseja apenas utilizar a tecnologia nuclear para fins pacíficos, como a produção de energia.   Os Estados Unidos assinaram na terça-feira um pacto para construir parte de um escudo antimísseis na República Tcheca, a fim de conter ameaças vindas do Oriente Médio. A administração Bush também quer instalar escudos antimísseis na Polônia, apesar das negociações terem emperrado.

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