Partido Democrata cobra definição rápida dos superdelegados

Liderança pede indicação após fim de prévias, em junho, para não estender briga entre Hillary e Obama

Agências internacionais,

24 de abril de 2008 | 11h22

Apesar dos líderes democratas reconhecerem que a disputa interna no partido será prolongada, enquanto Hillary Clinton e Barack Obama disputam a nomeação pela candidatura à Presidência dos Estados Unidos, eles afirmaram, segundo o jornal americano The Washington Post, que pressionarão por uma rápida conclusão da batalha assim que as primárias terminarem, no início de junho.   'NYT' diz que campanha de Hillary foi 'mesquinha' Esforço de Hillary na Pensilvânia não garante sucesso Hillary vence Obama nas prévias da Pensilvânia Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A vitória de Hillary na Pensilvânia foi uma resposta aos democratas que aconselham que ela abandone a disputa antes do fim das prévias, já que Obama tem vantagem significante no número de delegados. Porém, a liderança do partido está dividida sobre as conseqüências de mais seis semanas de campanha agressiva. "O que aconteceu na terça-feira [dia da vitória de Hillary] foi o que muitos de nós temíamos que acontecesse", disse o governador do Tennessee Phil Bredesen. "Ainda não há uma definição clara. Ela foi um pouco melhor do que o esperado, mas eles ainda seguem na briga, se atacando. Todos são atingidos e não há nocaute. Isso prolonga a disputa".   Líderes expressaram preocupação de que, se Hillary e Obama continuarem a focar a briga em si mesmos, o senador John McCain, o virtual republicano nomeado, terá cada vez mais espaço para aumentar sua popularidade no país e começar a fazer campanha para as eleições gerais. Porém, para o chefe do partido, Howard Dean, esta é a menor preocupação entre os democratas, já que para ele as primárias estão formando centenas de milhares de novos eleitores e que em alguns meses, isso será mais importante do que o combate entre Hillary e Obama.   Porém, Dean reiterou que quer que os superdelegados que não estão comprometidos com nenhum candidato devem se decidir assim que as primárias terminarem e anunciar o mais rápido possível o endosso a um dos pré-candidatos, antes que a briga interna prejudique ainda mais as chances do partido de ganhar a corrida pela Casa Branca em novembro. "Queremos saber quem será o nomeado antes do fim do mês de junho", afirmou.   Bredesen, que propôs que os superdelegados se reúnam em junho para expressar suas preferências, disse que os líderes do partido devem forçar algum tipo de manifestação de apoio ainda em junho. "Está chegando a hora do Partido Democrata se adiantar e exercitar sua liderança em resolver este impasse".   Fraquezas   A vitória da pré-candidata Hillary Clinton na primária democrata da Pensilvânia, por quase 10 pontos de vantagem, reforçou a percepção de que o seu adversário na disputa, o senador Barack Obama, não consegue ganhar nos grandes Estados industriais, muito importantes na eleição presidencial de novembro nos EUA.   Feitas as contas, Hillary deve ganhar apenas entre 14 e 16 delegados a mais que Obama na Pensilvânia. Ela continua bem atrás do senador de Illinois em número de delegados. Contudo, a derrota de anteontem de Obama, aliada a perdas em Ohio, Califórnia, Texas, Nova York e New Jersey, levanta dúvidas sobre a capacidade do senador de bater o republicano John McCain em novembro.   "Eu ganhei nos Estados onde nós temos de ganhar - Ohio e, agora, Pensilvânia", disse Hillary em entrevista à CNN. "É muito difícil imaginar um democrata chegar à Casa Branca sem ganhar nesses Estados." Logo após os resultados, seu comitê de campanha enviou e-mails onde dizia: "A maré está virando.". A campanha de Obama rebate a tese, dizendo que senador ganhou em Estados como Kansas e Virgínia, onde o eleitorado também tem o perfil tradicional democrata. E aponta para pesquisas que mostram Obama vencendo McCain em novembro, enquanto Hillary apenas empata ou perde.   A derrota na Pensilvânia ressaltou a dificuldade de Obama de atrair a simpatia do eleitorado branco, da classe trabalhadora, católico e idoso - que são tradicionais eleitores do Partido Democrata. Ele admite uma desvantagem entre os idosos. "Esses eleitores têm um histórico de votos para a senadora Hillary", disse ontem o senador. "Precisamos garantir um bom desempenho nas questões que são importantes para esses eleitores."   Os dois candidatos já estão de olho nas próximas primárias, que acontecem no dia 6 de maio, em Indiana e Carolina do Norte. Obama tem vantagem de cerca de 15 pontos na Carolina do Norte, mas em Indiana a disputa está indefinida. "Se Hillary não vencer Indiana, a indicação será decidida até o fim de maio; se ela vencer, processo se estende até fim de junho ou até a convenção, em agosto", afirmou Michael Gordon, estrategista democrata, que não apóia nenhum dos dois candidatos.   Obama lidera em número de delegados eleitos (1.487 a 1.331), número impossível de ser alcançado por Hillary. Com isso, há duas possibilidades: ou a disputa vai até a convenção e será decidida pelos quase 800 superdelegados, ou algum dos dois candidatos desiste antes de agosto.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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