Pesquisa aponta disputa acirrada entre os democratas

Depois de perder primária da Pensilvânia e em meio ao escândalo sobre pastor, Obama perde espaço

Robin Toner e Megan Thee, do The New York Times,

01 de maio de 2008 | 15h52

A aura de inevitabilidade do senador Barack Obama na batalha pela nomeação presidencial democrata diminuiu depois de perder as primárias da Pensilvânia e em meio ao escândalo sobre seu antigo pastor, de acordo com a última pesquisa New York Times/CBS News.   Veja também: Superdelegado deixa de apoiar Hillary e endossa Obama Obama diz que teve infância menos privilegiada que rivais Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A pesquisa foi feita entre sexta e terça-feira, antes da coletiva de imprensa na terça criticando o seu antigo pastor, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr., e pode não ter captado o impacto da controvérsia ou da reação de Obama.   Mas a pesquisa mostra que Obama, cuja liderança na corrida pelos votos necessários para garantir a nomeação lhe render uma posição confortável ante a senadora Hillary Rodham Clinton desde fevereiro, está agora enfrentando uma disputa mais apertado.   Dos eleitores das primárias democratas, 51% afirmaram esperar que Obama vença a eleição no partido, contra 69% no mês passado. Ainda segundo a pesquisa, 48% acreditam que Obama é o candidato com mais chance de vencer o senador republicano John McCain, contra 56% há um mês.   Obama, de Illinois, ainda possui uma vantagem sobre Hillary, de Nova York, em diversos quesitos; por exemplo, 46% dos eleitores democratas disseram que ele continua sendo sua escolha para a nomeação, enquanto 38% preferem Hillary, ante 43% no mês passado, e ela perdeu apoio entre os homens nas últimas semanas. Obama também tem vantagem sobre Hillary em indicadores sobre honestidade e integridade e por ser menos comprometido com interesses de grupos específicos.   Mas um mês de turbulência política - incluindo uma perda de quase 10% para Hillary na Pensilvânia - tem seu preço, e não apenas para Obama; 56% dos democratas descreveram seu partido como dividido. Em contraste, 60% dos republicanos vêem seu partido como unido, uma grande virada tendo como base o tumultuado partido do começo das primárias.   A economia adiciona ainda mais volatilidade à disputa. A ansiedade sobre a questão, já alta há um mês, continua crescendo. Mas de quatro a cada dez eleitores citaram a economia como uma das questões que gostariam que fossem citadas pelos candidatos, contra cerca de 30% em uma pesquisa da CBS News em meados de março.   Os democratas não vêem um final rápido para a disputa entre Obama e Hillary, segundo a pesquisa. Cerca de sete a cada dez eleitores afirmaram que o nomeado de seu partido não deve ser decidido antes da hora. E diversos eleitores disseram que isso pode eventualmente prejudicar as chances do partido contra McCain em novembro.   A pesquisa foi conduzida entre 1.065 adultos, dos quais 956 são eleitores registrados; a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos no geral, e de cinco pontos entre aqueles que dizem que votaram ou vão votar em uma primária ou caucus democrata.   A pesquisa sugere uma disputa bastante competitiva em novembro, seja quem for o nomeado democrata. Entre Obama e McCain, ambos os candidatos têm 45% de votos. Em uma disputa entre Hillary e McCain, 48% apóiam a democrata, 43% o republicano.   A pesquisa mostra que o governo presidente George W. Bush continua recebendo notas baixas, com apenas 21% de aprovação para a maneira como ele lida com a economia. Com esses índices, McCain enfrenta o desafio de estabelecer uma identidade própria: cerca de metade de todos os eleitores dizem esperar que ele continue com as políticas de Bush, se eleito, enquanto um em cada cinco diz que ele terá ações ainda mais conservadoras.   Seu desafio também inclui a política internacional: a maioria dos eleitores diz preferir que o próximo presidente tente terminar com a Guerra no Iraque nos próximos anos; grande parte deles disse que é mais importante ter um nomeado que seja flexível sobre a retirada das tropas, ao invés de alguém que esteja comprometido a continuar no Iraque até que os Estados Unidos sejam bem-sucedidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.