Plano de Obama para fechar Guantánamo pode levar 1 ano

Presidente eleito dos EUA afirma que ordenará o fechamento da prisão em seu primeiro dia na Casa Branca

Agências internacionais,

13 de janeiro de 2009 | 08h02

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, planeja emitir uma ordem executiva para fechar a prisão militar de Guantánamo em seu primeiro dia na Casa Branca, segundo afirmaram pessoas ligadas à equipe de transição na segunda-feira, 12. Porém, de acordo com a edição desta terça do jornal The New York Times, ainda deve levar meses, talvez até um ano, para esvaziar a prisão que foi criticada internacionalmente nos últimos sete anos, desde que foi criada para receber suspeitos de terrorismo. Um dos oficiais afirmou que a nova administração espera que leve alguns meses para transferir parte dos 248 prisioneiros para outros países, para decidir como julgar os acusados e lidar com os desafios legais que surgirão com o fechamento da detenção. Além disso, as pessoas ouvidas sob anonimato disseram que a equipe de transição está comprometida a suspender o sistema de comissões militares criado pela administração Bush para julgar os presos. Entre as questões mais complexas está a de como instruir o processo sem usar provas que foram obtidas por meio de tortura, o que os advogados dos presos certamente procurarão explorar. Segundo especialistas, diante desse quadro, qualquer tribunal federal colocaria os acusados em liberdade. Além disso, nem todos os presos podem ser devolvidos a seus países, mesmo que não sejam mais considerados perigosos, pois há risco de serem torturados e mortos assim que voltarem para casa. Outra alternativa seria convencer aliados a aceitá-los. Portugal e Alemanha já se disseram dispostos a recebê-los. Espanha e Reino Unido analisam a possibilidade. Em entrevista na semana passada, o próprio presidente eleito reconheceu que "seria um desafio" fechar Guantánamo, mesmo nos "primeiros cem dias" de sua administração. O presidente eleito foi duramente criticado por alguns grupos de direitos humanos na segunda-feira, que afirmaram que o fechamento de Guantánamo não está entre as principais prioridades do novo governo. Ainda que a detenção permaneça aberta por alguns meses, a decisão de ordenar o fim da prisão no primeiro dia após a posse parece um gesto simbólico com algumas das mais políticas controversas da administração Bush. Um oficial da transição, sob anonimato, afirmou que o governo Obama planeja anunciar o fechamento da prisão na próxima quarta-feira, dia 21. Legado polêmico O presidente dos EUA, George W. Bush, negou que o tratamento dado a prisioneiros da base americana de Guantánamo tenha prejudicado a "posição moral" de seu país no mundo. "Nossa posição moral pode ter sido prejudicada entre uma elite, mas as pessoas em geral ainda entendem que os EUA defendem a liberdade", disse Bush. "Sei que Guantánamo criou polêmicas. Mas quando chegou a hora daqueles países que estavam criticando os EUA receberem alguns prisioneiros, eles se recusaram a ajudar", completou, em referência a países europeus como a Holanda e a Suécia. Essas declarações foram feitas na última entrevista coletiva de Bush antes de deixar o cargo, no dia 20, e horas antes de assessores de Barack Obama divulgarem que o novo presidente ordenará o fechamento de Guantánamo já em sua primeira semana de governo. No domingo, Bush defendeu as técnicas de interrogatório usadas em Guantánamo, que organizações de defesa dos direitos humanos denunciam como tortura. Na entrevista, um Bush nostálgico e, por vezes, combativo, falou dos oito anos de seu governo. Ele defendeu com fervor a sua decisão de invadir o Iraque e a "guerra ao terror", mas admitiu pelo menos três "decepções".  A primeira foi o escândalo das atrocidades cometidas por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. A segunda, quando ele próprio decretou "missão cumprida", logo após a tomada de Bagdá por tropas dos EUA. "Acabei enviando a mensagem errada. Obviamente parte de minha retórica foi um erro", disse. A terceira "decepção" de Bush foi a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, principal justificativa da invasão ao país. "Não sei se devo chamar isso de erro ou não. Foram coisas que não marcharam de acordo com os planos", afirmou.  O presidente também afirmou que ainda não pretende se aposentar. "Não posso me imaginar sentado numa praia com um grande chapéu de palha e uma camisa havaiana. Ainda mais depois que deixei de beber", afirmou Bush, que no passado superou um problema de alcoolismo. O presidente americano disse que no dia 21 vai se levantar em seu rancho no Texas e fazer um café para sua esposa, Laura: "Será uma sensação diferente. Direi como é quando a sentir". Bush deixará o governo com 27% de aprovação, o mais baixo entre presidentes americanos desde que Richard Nixon renunciou em 1974.

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