Powell pode integrar futuro governo democrata, diz Obama

Ex-secretário de Estado do governo Bush critica McCain e diz que Obama é melhor escolha para a Casa Branca

Agências internacionais,

20 de outubro de 2008 | 11h24

O candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama recebeu com satisfação nesta segunda-feira, 20, o apoio declarado pelo ex-secretário de Estado americano Colin Powell e sugeriu que ele poderia ter um lugar no governo caso a chapa democrata saia vitoriosa das eleições de 4 de novembro.   Veja também: Obama consolida liderança nas pesquisas de intenção de voto Com internet, Obama arrasa recorde de arrecadação Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA Líder em todas as pesquisas de intenção de voto, o Obama recebeu no domingo uma importante declaração de apoio do general da reserva Colin Powell, ex-secretário de Estado do presidente George W. Bush. Ao apoiar Obama, o general, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, que continua considerando-se republicano, não só avalizou a capacidade do jovem senador negro de ser o comandante-chefe e de conduzir a política externa do país, como criticou duramente a campanha do senador John McCain, seu amigo há 25 anos.   Nesta segunda, Obama comentou à mesma emissora que o apoio do ex-chanceler do republicano George W. Bush "será importante" para sua campanha. Se Powell quiser participar formalmente, prosseguiu Obama, "é algo que teremos de discutir". Obama disse que Powell, um general reformado de quatro estrelas, não disse nada a ele antes de anunciar o apoio e afirmou que gostaria de vê-lo atuando na campanha.   À pergunta sobre a falta de experiência de Obama em temas de defesa e política externa, Powell respondeu que o senador de 47 anos, em primeiro mandato, "sabe que não tem experiência, educou-se nos últimos dois anos e hoje fala com autoridade". Além disso, acrescentou, "deverá cercar-se de pessoas qualificadas".   "Obama demonstrou firmeza, curiosidade intelectual e conhecimento em profundidade, e está pronto para ser presidente desde o primeiro dia", enfatizou Powell, em entrevista ao programa Meet the Press, da rede de TV NBC. "Obama é mais includente, ele atravessa as linhas raciais e geracionais", continuou o general, que no fim dos anos 90 foi cogitado como o primeiro candidato negro a presidente pelo Partido Republicano. "Não é fácil para mim desapontar McCain, mas precisamos de uma figura transformacional, de uma mudança geracional."   O general, que tem bastante simpatia dos conservadores moderados, declarou-se "perturbado" com o fato de a campanha de McCain, em vez de dedicar-se a "temas centrais", como economia e educação, insistir na ligação entre Obama e o ex-terrorista Bill Ayers, cujo grupo Weather Underground promoveu atentados à bomba nos EUA nos anos 60. Professor na Universidade de Illinois, Ayers mora no mesmo bairro que Obama em Chicago e ambos estiveram no conselho da entidade Woods Fund, que presta assistência aos pobres, até dezembro de 2002, quando o senador se retirou.   "McCain não tem uma compreensão completa dos problemas econômicos", salientou o general, acrescentando que é isso o que "importa para o povo americano". Powell também desaprovou a escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice na chapa de McCain: "Não acredito que ela esteja preparada para ser presidente dos EUA." McCain tem 72 anos e sofreu quatro incidências de câncer de pele, a última em 2002.   Powell afirmou ainda estar "desapontado" com o fato de o seu partido ter-se "encaminhado para a direita". E acrescentou que não gostaria que mais juízes conservadores fossem apontados para a Suprema Corte, como ocorreria, segundo ele, se McCain fosse eleito. Na TV, Powell disse que não aspira a nenhum cargo no governo, mas está pronto a dar suas opiniões ao próximo presidente, caso lhe peça.   (Com Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo)

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