Prévia na Pensilvânia pode decidir disputa democrata

Primária pode firmar candidatura de Obama ou impulsionar Hillary; senador aposta em derrota no Estado

Agências internacionais,

22 de abril de 2008 | 07h24

Os eleitores do Estado americano da Pensilvânia vão às urnas nesta terça-feira, 22, para escolher o candidato democrata que poderá representar o partido na disputa à Casa Branca, em novembro deste ano. Uma vitória do senador Barack Obama no Estado praticamente liquidaria as chances da senadora Hillary Clinton, que conta com um número inferior de delegados e que está atrás do rival em votos populares. Mas uma vitória de Hillary por uma margem de dez pontos percentuais ou mais poderia dar fôlego à sua candidatura e reforçar a tese de seus correligionários de que ela é mais capaz de faturar os grandes Estados americanos do que Obama.   Mundo da luta convida presidenciáveis ao ringue Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA      O pré-candidato democrata Barack Obama admitiu na segunda-feira que sua rival Hillary Clinton deve ganhar as primárias no Estado da Pensilvânia. "Não estou prevendo uma vitória nossa", disse Obama em entrevista a um programa de rádio. "Mas acho que será por pouco e que vamos ter um desempenho melhor do que o esperado". "Se ela não vencer de forma decisiva, as contribuições de campanha vão secar", disse Abe Amoros, diretor do Partido Democrata da Pensilvânia. "Se ela vencer por menos de 5 pontos, é hora de repensar a campanha." De acordo com ele, isso não significa que uma vitória apertada fará a senadora desistir. "Ela é persistente e o eleitor americano gosta disso", afirmou.   A disputa no Estado representou um hiato dentro do corrido calendário eleitoral das primárias democratas. Os candidatos contaram com extensas sete semanas de campanha na Pensilvânia. O longo período permitiu que Hillary e Obama cometessem gafes, trocassem as mais pesadas acusações desde o início da disputa e se reinventassem como políticos que compartilham dos hábitos de seus eleitores. Um cada parada da campanha no Estado, os candidatos aproveitaram para jogar boliche, comer hambúrgueres e cachorros-quentes, virar doses de uísque e bebericar cerveja.   Para se mostrar em sintonia com os anseios dos votantes do Estado, predominantemente brancos, com nível médio de escolaridade e severamente atingidos por um dos maiores índices de desemprego dos Estados Unidos, na faixa de 7%, os dois candidatos intensificaram críticas a trados de livre comércio como o Nafta, o Acordo de Livre Comércio das Américas, e a proposta defendida pelo governo Bush de firmar um acordo de livre comércio com a Colômbia. O tratado com a Colômbia chegou mesmo a custar a cabeça do principal estrategista da campanha de Hillary Clinton, Mark Penn. Ele acabou sendo forçado a pedir demissão após ter se encontrado com autoridades colombianas para discutir meios de obter a aprovação do acordo.   Os republicanos também adoram a tenacidade de Hillary. "Espero que eles continuem disputando até o dia da convenção, em agosto", disse Luke Bernstein, diretor do Partido Republicano na Pensilvânia. "Não precisamos fazer nada, temos dois democratas se massacrando enquanto John McCain está se preservando."   A senadora é popular na Pensilvânia porque seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, ainda é muito identificado com a prosperidade econômica. Além disso, ela conta com a simpatia dos operários brancos, considerados chave para a vitória. "Os operários da Pensilvânia não se identificam com Obama", disse Terry Madonna, coordenador da pesquisa Franklin & Marshall College. O senador leva vantagem na Filadélfia, onde 60% dos eleitores democratas são negros, e em Pittsburgh, onde também há uma grande porcentagem de negros e jovens. Contudo, na Pensilvânia apenas 9% dos eleitores têm entre 18 e 24 anos, enquanto 36% estão acima dos 55 anos, o que favorece Hillary.   Discursos e gafes   Temas ligados a religião, patriotismo e extremismo também vieram à tona em mais de uma ocasião. Foi na Pensilvânia que Barack Obama realizou um elogiado discurso sobre as relações raciais nos Estados Unidos. Uma versão impressa contendo o pronunciamento na íntegra vem sendo distribuída por ativistas de Obama em comícios e nos QGs da campanha no Estado. O discurso foi uma resposta a declarações feitas pelo ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright, cujos comentários foram considerados por muitos como um incitamento ao ódio racial.   Enquanto a campanha seguia seu curso na Pensilvânia, Obama se viu em maus lençóis, devido a comentários que fez em um evento de arrecadação em San Francisco. O candidato afirmou que moradores do interior do Estado, frustrados com as mazelas econômicas que vivem, acabam se tornando pessoas amargas, que se voltam para as armas e a religião.   Uma gafe da senadora Hillary Clinton que chamuscou a sua imagem também se deu durante a campanha da Pensilvânia. A senadora passou pelo constrangimento de ter de dizer que se "expressou mal", ao dizer que, quando primeira-dama, em 1996, aterrissou na Bósnia debaixo de fogo cerrado de atiradores e que teve de cancelar a recepção que lhe havia sido reservada e correr para não ser atingida. Imagens de arquivo da época mostraram cenas muito mais róseas do que o quadro sombrio pintado pela senadora. Ela é vista saindo sorridente de seu avião, ao lado da filha, Chelsea. E, em seguida, conversando tranqüilamente com militares americanos.   Acusações   Na reta final, Hillary e Obama trocaram pesadas farpas. O senador acusou a rival de se valer de uma tática de "terra arrasada". Enquanto a senadora disse que Obama procurava jogar tudo o que podia contra ela, "para ver o que colava". Os dois candidatos divulgaram comerciais no qual atacavam o programa de saúde do oponente.   Um recente anúncio de Hillary procurou reforçar a tese de que ela é mais experiente que o rival, ao frisar que ela seria a candidata mais apropriada para combater as dificuldades econômicas do país, os dois conflitos militares enfrentados pelos Estados Unidos e a ameaça de Osama Bin Laden. A referência ao militante extremista que comanda a rede Al-Qaeda foi considerada por ativistas de Obama como uma tentativa de pôr medo em eleitores.   As extensas dimensões do Estado obrigaram os candidatos a cumprir uma extensa agenda. Nesta segunda, Hillary Clinton participou de eventos em quatro cidades da Pensilvânia, tendo começado o dia na cidade natal de seu pai, Scranton, e marcado o encerramento de sua campanha na Filadélfia. Obama também contou com uma agenda lotada, comparecendo a eventos em três cidades do Estado, o último deles um comício em Pittsburgh.   (Com BBC Brasil e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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