Prévias na Pensilvânia podem mudar significado de 'vitória'

Hillary Clinton, apesar do favoritismo, precisa vencer com mais de 10% de vantagem para sobreviver na disputa

Adam Nagourney, do The New York Times,

22 de abril de 2008 | 15h10

A disputa presidencial democrata entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama na Pensilvânia, que acontece nesta terça-feira, 22, oferecerá um novo teste do que exatamente significa uma "vitória". Existem muitas possibilidades diferentes a caminho, e podem estar certos de que as campanhas tentarão de tudo para tentar aclamar a vitória na primeira prévia depois de seis semanas. Veja também:Prévia na Pensilvânia pode decidir disputa democrata O professor Sean Purdy comenta as primárias democratasConfira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Alguns resultados serão desprezados até mesmo pela melhor campanha. Mas se Hillary perder nesta noite, sua candidatura está certamente terminada. Ela pode dizer que continuará quando subir ao palco na Filadélfia, após o fechamento das urnas, mas a realidade é que ela está efetivamente sem verba e uma derrota poderia não garantir que seus doadores contribuam.O Estado da Pensilvânia é onde Hillary espera uma grande vitória, segundo apontam pesquisas recentes e o fato da região ser demograficamente mais ligada com sua proposta. Uma derrota poderia remover qualquer constrangimento que os superdelegados independentes - democratas eleitos e líderes do partido -, possam ter sobre sua desistência e em deixar as primárias seguirem o seu curso. Se Hillary derrotar Obama com uma vantagem significante - mais de 10% - ela poderá seguir na disputa. Dependendo dos que as pesquisas revelem sobre a perda de Obama - que continua brigar por eleitores brancos e de classe média -, a vitória reforçaria a pressão dos apoiadores de Hillary sobre as eleições gerais, dando a ela mais argumentos para usar e convencer os superdelegados. Até mesmo os apoiadores de Hillary reconheçam que ela precisaria de um enorme esforço na dinâmica da campanha para dar um ultimato e vencer a nomeação; porém, a vitória ao menos lhe garante mais algumas semanas para atacar. As coisas ficarão mais sombrias se Hillary ganhar com menos de 10 pontos de vantagem. A senadora está praticamente certa de que deve declarar vitória com pontuação semelhante, e justifica que Obama a atacou dramaticamente no Estado, e tornou sua campanha mais agressiva na reta final.  Os conselheiros de Hillary, que estão confiantes da vitória, já se movimentavam na manhã desta terça para cortar as tentativas de Obama em destacar qualquer vitória pequena ou grande. "Uma vitória é sempre uma vitória", disse Phil Singer, porta-voz de Hillary. Este é o argumento que sustenta facilmente o seu sucesso se ela conseguir uma margem de 8%, até mesmo 5%. Mais do que isso, enquanto o argumento defende contra o abandono da candidatura entre os superdelegados e os que pedem para que ela desista, uma vitória pequena não ajudará muito na batalha que Hillary enfrenta contra a liderança de Obama. A maior esperança de Hillary é convencer os superdelegados a apoiarem sua candidatura, independente do desempenho de Obama durante o processo de nomeação. A chave para isso, segundo os apoiadores de Hillary afirmam, é terminar o processo com o número mais próximo possível de votos e delegados do senador. Obama tem até agora mais de 13 milhões de votos, 700 mil a mais do que Hillary. Uma vitória com menos de 10 pontos na Pensilvânia não diminuirá o déficit da senadora. Hillary precisaria derrotar Obama com mais de 15% dos votos no Estado para tentar evitar uma divisão simples dos 188 delegados que estão em jogo na Pensilvânia. Até o momento, o pré-candidato tem 1.418 delegados, enquanto Hillary soma 1.250, segundo a contagem do The New York Times. O candidato democrata precisa de 2.024 delegados para vencer a indicação. Se Hillary sobreviver nesta noite, a próxima grande disputa será no dia 6 de maio, quando os Estados de Indiana e Carolina do Norte escolhem 218 delegados. "Veremos como as coisas permanecerão até lá", disse David Plouffe, estrategista da campanha de Obama. "Se ela não fisgar um número expressivo de delegados - e duvido que ela conseguirá - ela estará fora da corrida".

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