Propostas para a saúde devem ser decisivas em Nevada

Estado conta com alto número de pessoas sem seguro; eleitores dizem que problema é o mais preocupante

NYT,

18 de janeiro de 2008 | 21h30

Embora os eleitores de Nevada se preocupam com a economia, com a guerra e com as taxas federais, nada será tão decisivo para a escolha dos pré-candidatos democrata e republicano deste estado nas primárias deste sábado, 19, como as propostas para assistência médica federal. Nevada tem um número alto de pessoas sem plano de saúde, é difícil de se conseguir uma consulta médica, os reembolsos do sistema Medicare (plano do governo) são baixos e as empresas que atuam no setor estão erodindo.  Veja TambémRomney abre vantagem em NevadaHillary e Obama levam disputa para cassinosHillary tem pequena vantagem em NevadaCobertura completa das eleições Eleições nos EUA  Enquanto a briga pela indicação nos outros estados foi definida em parte pelos assuntos nacionais pautados por problemas locais - imigração em Iowa e desemprego em Michigan, pra ficar com dois exemplos -, o caucus de Nevada deve girar em torno de como os candidatos se posicionam sobre a crise do sistema de saúde americano.  Enquanto os eleitores idosos se preocupam com os benefícios do sistema de Medicare, os mais jovens que trabalham em empregos sem cobertura dizem que não podem pagar para os seus familiares. E quase todo mundo conhece ou já se preocupou com alguém sem qualquer tipo de cobertura.  Em entrevistas com 30 eleitores registrados em Las Vegas, quase metade diz que o sistema de saúde é o problema mais preocupante que os candidatos devem resolver.  "Eu tenho uma filha que se envolveu num grave acidente de carro há três anos, e ela não consegue se associar a um plano de saúde", disse o advogado Terrence M. Jackson, de 61 anos. "Eu pago US$ 15 mil por ano por uma cobertura médica. E há milhões de pessoas que não conseguem cobertura." Entre os eleitores democratas - cujo caucus é o principal evento deste sábado, já que os candidatos republicanos praticamente desistiram do Estado -, a classificação do sistema de saúde como mais preocupante do que a crise das hipotecas, a recessão da economia americana ou a guerra do Iraque parecia particularmente sincera.  "Você vai a um desses planos controlados pelo sistema público e eles te dizem o que você pode ou não pode fazer", diz a aposentada Carol Wilken, de 62 anos, para quem as propostas dos pré-candidatos para a saúde serão decisivas na hora de direcionar o voto. "É o fundo do poço. Nunca queira ficar velho." Embora as dificuldades com assistência médica sejam uma praga em todos os estados, em Nevada o problema adquiriu contornos próprios. Estado que mais cresceu nas últimas duas décadas, Nevada tem uma base de trabalhadores muito instável, particularmente em Las Vegas onde os moradores mudam de emprego a toda hora, quase sempre sem ganhar uma cobertura médica. A grande comunidade hispânica do Estado - que tende a liderar o número de pessoas sem assistência -, contribui com os números altos.  Propostas de democratas e republicanos Os pré-candidatos democratas e republicanos concordam que conseguir uma assistência médica ao alcance do bolso é impossível para muitos americanos. Mas eles parecem amplamente divididos em como remediar o problema e garantir cobertura para os cerca de 47 milhões que não possuem um plano de saúde.  Entre os democratas - cujos custos das propostas podem variar de US$ 65 bilhões a US$ 100 bilhões anuais -, a principal medida seria ampliar o papel do governo federal, em parte através da eliminação dos cortes de impostos dados à população mais abastada pela administração Bush. A senadora Hillary Clinton e o ex-senador John Edwards propõem a utilização de subsídios estatais para que todos os americanos consigam obter cobertura. Já para o também senador Barack Obama, apenas as crianças deveriam ser incluídas nesse programa. Obama quer ainda que todos os empregadores ofereçam planos de saúde a seus empregados ou contribuam com um programa público Os republicanos, por sua vez, se baseiam em soluções mais centradas no mercado, e geralmente esquivam-se de propostas que tragam cobertura obrigatória.  O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, por exemplo, propõe um sistema voluntário em que as empresas que oferecerem cobertura médica ganhariam isenção de impostos.  Já para o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, a solução se basearia nos próprios estados, cujas propostas individuais contariam com apoio federal. O senador John McCain, por sua vez, quer cortar ainda mais os gastos com o sistema, e propõe que apenas as doenças mais custosas como o diabetes e os problemas cardíacos contem com maior atenção federal.

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