AP Photo/Jacquelyn Martin
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Médico confirma queda de oxigênio de Trump, mas diz que alta pode ocorrer na segunda-feira

Sean Conley explicou que o presidente teve dois episódios de saturação mais baixa, mas a recuperação está boa

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2020 | 12h46
Atualizado 05 de outubro de 2020 | 14h48

WASHINGTON - O quadro de saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "continua a melhorar", afirmou neste domingo, 4, o médico da Casa Branca, Sean Conley. Depois de um sábado de informações caóticas e desencontradas sobre a saúde do presidente americano, a nova coletiva confirmou que Trump teve dois episódios de queda no nível de oxigenação, mas os médicos afirmaram que ele tem progresso na recuperação e poderá receber alta na segunda-feira.

No sábado 3, o médico Sean Conley foi evasivo ao ser questionado se Trump precisou de oxigênio suplementar. Na sequência, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, informou que o quadro de Trump na sexta-feira era preocupante. O desencontro de informações levou à desconfiança de que a Casa Branca não estava sendo transparente sobre a saúde do presidente. 

Neste domingo, Conley admitiu que o presidente recebeu oxigênio na sexta-feira, na Casa Branca, após ter um pico de febre e queda no nível de saturação de oxigênio. Na sexta, Trump anunciou o diagnóstico positivo para covid-19. “Eu não queria dar nenhuma informação que pudesse direcionar o curso da doença em outra direção e, ao fazer isso, pareceu que estávamos tentando esconder algo, o que não era necessariamente verdade”, afirmou o médico Conley, na coletiva realizada nesta manhã em Washington, em frente ao hospital militar Walter Reade, onde Trump está internado desde sexta-feira. Segundo ele, Trump teve dois episódios de queda de oxigênio, sendo um deles ontem. O médico não informou se o presidente foi colocado em suplementação de oxigênio novamente no sábado e disse que precisaria checar a informação com a enfermagem. 

Ainda de acordo com Conley, Trump começou a tomar dexametasona, um corticoide indicado a pacientes com quadros graves de covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do corticoide para casos graves, não moderados. 

Conley foi questionado também sobre os resultados de exames do presidente, especialmente sobre a situação pulmonar de Trump. Ele afirmou que nos exames do pulmão mostraram “achados esperados”, sem dar mais detalhes, apesar de ter sido questionado.

Apesar de traçar um quadro mais sério do que o apresentado na coletiva de sábado, Conley afirmou que Trump está se recuperando bem e pode receber alta do hospital na segunda-feira para continuar o tratamento na Casa Branca. 

Estudos apontam que a dexametasona melhora a sobrevivência de pacientes hospitalizados em condição crítica com covid-19, que precisam de oxigênio extra. Mas o medicamento não deve ser administrado em casos leves, pois pode limitar a capacidade do próprio organismo de combater o vírus, de acordo com as diretrizes da Sociedade de Doenças Infecciosas da América.

O presidente também recebeu uma dose de Regeneron com anticorpos monoclonais na sexta-feira. Brian Garibaldi, especialista em cuidados pulmonares críticos do hospital Walter Reed, disse que Trump ainda não demonstrou "efeitos colaterais conhecidos". /COM INFORMAÇÕES DE REUTERS E AP

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