Racismo pode não confirmar liderança de Obama nas pesquisas

Eleitor pode declarar intenção de voto para não parecer intolerante; efeito custaria 6 pontos, diz CNN

Agências internacionais,

14 de outubro de 2008 | 09h23

O candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, sustenta uma consistente vantagem sobre o rival republicano, John McCain, nas últimas semanas. Porém, os índices de intenção de voto podem não se confirmar se o eleitorado - para não parecer intolerante - afirmar que votaria num negro mas na eleição optar pelo candidato branco.   Veja também: Obama apresenta seu plano de combate à crise financeira McCain tenta retomar campanha com novas propostas anticrise Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Segundo a CNN, isto aconteceu com o ex-prefeito de Los Angeles Tom Bradley, um afro-americano que concorreu ao governo da Califórnia em 1982 pelo Partido Democrata. Pesquisas de opinião mostravam Bradley liderando com larga vantagem sobre o republicano George Deukmejian, que acabou eleito. A explicação para o erro das sondagens é que alguns eleitores afirmaram que votariam em Bradley embora optasse pelo rival.   "As pessoas falam normalmente em quem votaram após a eleição, mas nós descobrimos que na campanha de Bradley as pessoas não contavam em que candidato votou", afirmou à CNN Charles Henry, que pesquisou a disputa. Alguns analistas apontam que a disputa pode ser mais acirrada ou apertada se o chamado "efeito Bradley" acontecer. "Isto deixa a questão que marca a corrida, e nós não teremos uma resposta final até que os votos sejam contados", afirmou David Gergen, analista político da CNN. Especialistas apontam ainda que o este efeito pode custar 6 pontos percentuais a Obama.   Existe ainda a possibilidade do efeito ser contrário, segundo aponta Douglas Wilder, ex-governador da Virgínia que ganhou por pouco quando as pesquisas apontavam vantagem de dois dígitos. "Existem alguns republicanos que não afirmam que votam em Obama, mas votarão, porque a economia está levando o eleitorado a considerar o que é melhor para o seu interesse", afirmou.   O ex-presidente de São Francisco Willie Brown afirmou na última semana que acredita que o efeito Bradley custará Estados importantes - e possivelmente a Presidência. A cor "ainda é um problema neste país", afirmou Brown à CNN. "Isto some quando existem outros problemas mais desafiadores, e neste momento, a economia é mais importante. Mas a cor pode reduzir sua liderança. Espero que isso não aconteça antes de 4 de novembro".   Keating Holland, diretor de pesquisas da emissora, lembra ainda que o país nunca teve um candidato presidencial negro como um grande nomeado, então as pesquisas não possuem nenhum registro do que pode acontecer nas eleições gerais.

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